RESENHA JULIETA IMORTAL - STACEY JAY

terça-feira, 1 de novembro de 2011



RESENHA


Romeu e Julieta  é uma tragédia escrita entre nos primórdios da carreira literária de William Shakespeare, sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, que antes viviam em desavenças. A peça ficou entre os mais populares de Shakespeare ao lado de Hamlet, sendo umas das duas obras mais adaptadas no mundo inteiro, nos infinitos campos e áreas do teatro, cinema, música e literatura.



Dito isso, o livro Julieta Imortal é mais uma adaptação, esta escrita pela autora Stacey Jay, porém também é uma reformulação que une elementos contemporâneos e fantásticos ao clássico de Shakespeare. Apesar de Romeu e Julieta ser uma obra cultuada por uma grande maioria, e ter se tornado praticamente um paradigma de amor juvenil, faço parte da minoria que não enaltece muito a obra, pode me chamar de ignorante, e estou longe de ser uma erudita, o autor Shakespeare nunca me conquistou já li algumas obras dele fora esse romance, mas estou convicta que não irei fazer parte da elite intelectual... kkk...



Depois de algumas pesquisas, observei que a autora Stacey Jay, não se baseou em nada aleatório, ela se guiou por uma dentre muitas dualidades do romance Romeu e Julieta, a Luz e as Trevas (entende melhor na parte de Curiosidades no final da resenha), enquanto Julieta faz parte dos Embaixadores da Luz, cuja missão consiste em reencarnar em um corpo para ajudar a unir almas gêmeas, Romeu faz parte dos Mercenários do Apocalipse, e sua função é impedir essa união, e repetir o que vêm acontecendo desde a clássica cena final de Romeu e Julieta, em minha opinião é uma tragédia de erros, mas na narrativa da autora e que inicialmente é passada para o leitor, que Romeu matou Julieta.

"Desde o momento em que adentrei o corpo de Ariel, achei que havia algo estranho nessa encarnação. Acreditei que fosse má sorte, ou talvez meus instintos me avisando que Romeu estava mais perto do que esperava durante os primeiros momentos, mas agora não dá mais para ficar em paz. Minha linha com os Embaixadores da Luz foi cortada.
Pela primeira vez eu estou completamente sozinha na Terra."


Cada alma gêmea que Julieta une, fortalece os Embaixadores e enfraquece os Mercenários e todas as reencarnação de Julieta, Romeu a mata para impedi-la de uni-las, e quando Julieta não  está reencarnada ela se transforma em espírito sem forma, enquanto Romeu consegue vagar pela terra recuperando os mortos e habitando neles.



Porém nessa reencarnação de Julieta como a de Romeu, podem ser a ultima, apesar deles fazerem parte e agirem em nome dessas ordens, eles são apenas agentes,  se completarem suas missões eles irão se tornar parte dessas ordem, senão, eles não sabem que irá acontecer com ambos, sendo assim Romeu propõe a Julieta, que eles se unam para descobrir uma solução mesmo que eles fracassem na missão.


Mas a missão realmente se tornará impossível, já que Julieta acaba se apaixonando pela alma gêmea que ela terá que unir, Ben que é alma gêmea de Gemma , que é melhor amiga de Ariel (a pessoa que ela reencarnou), enquanto Romeu está mais preocupado com o futuro, já que o seu corpo espectral (todo deteriorado derivado de suas maldades) está perseguindo-o para apossar-se dele.



O início do livro é bastante confuso, e quase você desiste da leitura, porque você acha que a autora virá com aquele pieguismo de Bem e Mal, mas seria simplista demais definir os Embaixadores da Luz (Julieta) como Bem e os Mercenários do Apocalipse como Mal (Romeu), a autora nos mostra no decorrer da narrativa um verdadeiro antagonismo, que muitas vezes através de atitudes que julgam benéficas poderão de alguma forma se tornar negativas, ou vice-versa, ou seja, não passa da percepção dependendo do lado que você está, e no caso do livro, dependendo dos interesses dos lados.


Achei interessante que a autora colocou de alguma forma, a tragédia de erros não do final de Romeu em Julieta, mas em relação, Julieta (Ariel) se apaixona por Ben, que deveria se apaixonar por Gemma, porém está apaixonado por Ariel (Julieta), sendo que Ben na verdade faz parte dos personagens da história original de Romeu e Julieta.


Enquanto Romeu que vive praticamente é o vilão, o lado mal da história, eu particularmente não tenho essa mesma visão, eu achei sim um jovem rapaz que cometeu erros na vida, e graças a Shakespeare ele se tornou um parâmetro de príncipe encantado, porém com todos os defeitos de um jovem rapaz, por decisões erradas e impensadas prejudicou mais a si próprio do que os outros, como veremos no final do livro.

"- E o Ben? – pergunto, embora uma parte de mim já saiba a resposta. – Eu o amo.
- Você ama.
Eu abro os olhos e percebo um ar de riso em seus lábios.
- Isso é tão maravilhoso assim?
- É melhor. Ele é melhor – procuro o rosto dela.  – Mas como isso pôde acontecer? Achei que almas gêmeas eram raras. Achei que cada alma tivesse apenas um parceiro ideal e...
- O amor não é um incidente isolado, Julieta. O amor está em qualquer lugar. Sempre esteve. Você apenas precisa escolher a luz em vez da escuridão, o sol em vez da chuva."


O livro a partir da página 57 é eletrizante, você não consegue parar de ler, primeiro por se solidarizar com o romance de Julieta (Ariel) e Ben, torcendo por um final feliz, depois por realmente saber o que está acontecendo e o motivo de Julieta e Romeu estarem na ultima reencarnação, além de todos os acontecimentos desencadeados que te deixam apreensivos para chegar ao final, e tudo isso nos é mostrado pelos olhos de Julieta (bem mais dessa personagem) e Romeu.


Apesar de a autora ter transformado alguns fatos, no final ela foi fiel ao livro e em nenhum momento desmereceu a obra, para dizer a verdade o final que a autora escreveu foi bem mais interessante que a obra original (isso é uma opinião de uma pessoa ignorante, e não de uma intelectual kkkkkkk).


Julieta Imortal, é um livro de um amor juvenil apesar de toda as mudanças nos acontecimentos, a autora escreveu uma narrativa fiel a pureza da obra original, porém sem a melancolia e a tragédia de erros que aconteceu no final do livro de Shakespeare, uma narrativa de qualidade que a autora Stacey Jay proporciona ao leitor.


Em breve teremo sequencia, e que teremos como personagem principal Romeu, e pelo visto Julieta não aparecerá mais, apesar de muita gente irá antipatizar com Romeu, mas acho que o livro dele será bem mais interessante e empolgante.



MARCADORES DE LIVRO

BookTrailer





História
A peça abre numa rua com o desentendimento entre os Montecchios e os Capuletos. O Príncipe de Verona intervém e declara que irá punir com morte as pessoas que colaborarem para mais uma briga de ambas as famílias. Mais tarde, Páris conversa com Capuleto sobre o casamento de sua filha com ele, mas Capuleto está confuso quanto o pedido porque Julieta tem somente treze anos. Capuleto pede para Páris aguardar dois anos e o convida a uma planejada festa de balé que será realizada na casa. A Senhora Capuleto e a Ama de Julieta tentam persuadir a moça a aceitar o cortejo de Páris.  Romeu, filho dos Montecchios devido um amor não-correspondido por uma garota chamada Rosalina, uma das sobrinhas do Capuleto. Persuadido por pelo amigos, Romeu atende o convite da festa que acontecerá na casa dos Capuletos em esperança de encontrar-se com Rosalina. Contudo, Romeu apaixona-se perdidamente por Julieta. Após a festa, na famosa "cena da varanda", Romeu pula o muro do pátio dos Capuletos e ouve as declarações de amor de Julieta, apesar de seu ódio pelos Montecchios. Romeu e Julieta decidem se casar.

Com a ajuda de Frei Lourenço - esperançoso da reconciliação das famílias através da união dos dois jovens - eles conseguem se casar secretamente no dia seguinte. Teobaldo, primo de Julieta, sentindo-se ofendido pelo fato de Romeu ter fugido da festa, desafia o moço para um duelo. Romeu, que agora considera Teobaldo seu companheiro, recusa lutar com ele. Mercúcio sente-se incentivado a aceitar o duelo em nome de Romeu por conta de sua "calma submissão, vil e insultuosa". Durante o duelo, Mercúcio é fatalmente ferido e Romeu, irritado com a morte do amigo, prossegue o confronto e mata Teobaldo. O Príncipe decide exilar Romeu de Verona por conta do assassinato salientando que, se ele retornar, terá sua última hora. Capuleto, interpretando erroneamente a dor de Julieta, concorda em casá-la imediatamente com o Conde Páris e ameaça deserdá-la quando ela recusa-se a se tornar a "alegre noiva" de Páris. Quando ela pede, em seguida, o adiantamento do casamento, a mãe lhe rejeita. Quando escurece, Romeu, secretamente, passa toda a noite no quarto de Julieta, onde eles consumam seu casamento.

No dia seguinte, Julieta visita Frei Lourenço pedindo-lhe ajuda para escapar do casamento, e o Frei lhe oferece um pequeno frasco, aconselhando: "… bebe seu conteúdo, que pelas veias, logo, há de correr-te humor frio, de efeito entorpecedor, sem que a bater o pulso continue em seu curso normal, parando logo…". O frasco, se ingerido, faz com que a pessoa durma e fique num estado semelhante a morte, em coma por "duas horas e quarenta".Com a morte aparente, os familiares pensarão que a moça está morta e, assim, ela não se casará indesejadamente. Por fim, Lourenço promete que enviará um mensageiro para informar Romeu — ainda em exílio — do plano que irá uni-los e, assim, fazer com que ele retorne para Verona no mesmo momento em que a jovem despertar. Na noite antes do casamento, Julieta toma o remédio e, quando descobrem que ela está "morta", colocam seu corpo na cripta da família.

A mensagem, contudo, termina sendo extraviada e Romeu pensa que Julieta realmente está morta quando o criado Baltasar lhe conta o ocorrido. Amargamente, o protagonista compra um veneno fatal de um boticário que encontra no meio do caminho e dirige-se para a cripta dos Capuletos. Por lá, ele defronta-se com a figura de Páris. Acreditando que Romeu fosse um vândalo, Páris confronta-se contra o desconhecido e, na batalha, o segundo dos dois assassinos o outro. Ainda acreditando que sua amada está morta, ele bebe a poção. Julieta acaba acordando e, descobrindo a morte de Romeu, se suicida com o punhal dele, vendo que a poção do moço não possuía mais nenhuma gota. As duas famílias e o Príncipe se encontram na tumba e descobrem os três mortos. Frei Lourenço reconta a história do amor impossível dos jovens para as duas famílias que agora se reconciliam pela morte dos seus filhos. A peça termina com a elegia do Príncipe para os amantes: "Jamais história alguma houve mais dolorosa / Do que a de Julieta e a do seu Romeu."

Contexto histórico
Os críticos têm observado muitos pontos fracos na peça Romeu e Julieta, mas ela ainda é considerada como uma das melhores shakespearianas. O mais famoso crítico da peça foi Samuel Pepys, administrador naval e membro do Parlamento conhecido pelos relatos históricos que ele escrevia em seu diário pessoal. Entre esses relatos se encontram acontecimentos ocorridos na Grande Praga de Londres, na Segunda Guerra Anglo-Holandesae no Grande Incêndio de Londres. Quanto à trama de Romeu e Julieta, Pepys escreveu em 1662: "é a pior peça que já assisti em toda a minha vida." Dez anos depois, o poeta John Dryden elogiou a peça e o personagem Mercúcio: "Shakespeare demonstrou o melhor da sua habilidade artística em seu Mercúcio, e ele próprio dizia que foi obrigado a matá-lo no terceiro ato para evitar ser morto por ele." A crítica da peça no século XVIII era menos esparsa, mas não menos dividida: o editor Nicholas Rowe foi o primeiro crítico a refletir sobre o tema da obra, concluindo que o final trágico foi uma punição justa para as duas famílias que brigavam entre si. Em meados do mesmo século, o escritor Charles Gildon e o filósofo Lord Kames argumentaram que a peça era um fracasso artístico, pois não seguia as "regras clássicas" do teatro: "a tragédia final deve ocorrer por conta de algum erro dos personagens envolvidos no enredo, e não por um acidente do destino." Samuel Johnson, contudo, considerava a peça mais agradável de Shakespeare.
Em finais do século XVIII e através do século XIX, a crítica centrou-se nos debates sobre a mensagem moral da peça. A adaptação do ator e dramaturgo David Garrick, realizada em 1748, excluiu a personagem Rosalina, porque era visto como inconstante e imprudente o abandono que Romeu faz para ficar com Julieta. Críticos como Charles Dibdin alegavam que a inclusão de Rosalina, no entanto, era proposital para mostrar como o herói era imprudente, e que essa foi a verdadeira razão para seu trágico fim.  Outros argumentam que Frei Lourenço pode ter sido o porta voz que Shakespeare utilizou para demonstrar suas advertências contra a pressa injustificada. Com o advento do século XX, todos esses argumentos acerca da moralidade da peça foram contestados por críticos como Richard Green Moulton. Ele acreditava que o acidente, e não a falha das personagens foi o que as levou à morte.

Estrutura dramática
Em Romeu e Julieta, Shakespeare emprega diversas técnicas dramáticas que têm adquirido bastante elogio de críticos. A técnica mais notavelmente destacada são as bruscas mudanças de gênero da comédia para a tragédia (como, por exemplo, o intercâmbio de paranomásia entre Romeu e Mercúcio pouco antes da entrada de Tebaldo). Antes da morte de Mercúcio no Ato III, a peça é basicamente uma comédia, mas após sua morte, a obra adquire subitamente um tom sério e assume elementos trágicos.  Quando Romeu é punido pelo Príncipe e se exila, o fato do protagonista não ter sido executado e o de que Frei Lourenço oferece um plano para reunir ambos, o público/leitor ainda pode esperar que os amantes acabarão bem. Nessa etapa, o público/leitor se encontra em um "estado ofegante de suspense" até a abertura da última cena no túmulo, afinal, se Romeu está atrasado o suficiente para o Frei aparecer, ele e Julieta ainda poderão se salvar. Essas mudanças repentinas de estados (de esperança para desespero, e depois indulto, e novamente esperança) são simplesmente elementos que servem para salientar a tragédia, até que a esperança final termina e os protagonistas morrem.

Shakespeare também utiliza sub-enredos para oferecer uma visão mais clara das ações dos personagens principais: quando a peça abre, Romeu está apaixonado por Rosalina, que tem recusado toda a corte do moço. Esse afeto que Romeu nutre por Rosalina é um evidente contraste entre seu amor por Julieta mais tarde. Esse contraste permite uma comparação entre ambos os relacionamentos através do qual o público (ou leitor) tem a chance de acreditar na seriedade do amor e do casamento entre Romeu e Julieta. O afeto de Páris por Julieta também estabelece, por sua vez, um contraste entre os sentimentos da moça por ele e seus sentimentos por Romeu. A linguagem formal que ela utiliza quando está na presença de Páris, bem como a forma como ela fala sobre ele para sua Ama, mostram que seus sentimentos mentem com Romeu. Além disso, o sub-enredo das rixas entre os Montecchios e os Capuletos providencia uma atmosfera de ódio que se torna o principal contribuinte, segundo alguns críticos, para o final trágico da peça.

Linguagem
As formas poéticas utilizadas por Shakespeare ao longo da obra são muito variadas, o que torna Romeu e Julieta rica em poesia. Ele inicia com um prólogo de 14 linhas em forma do soneto shakespeariano, recitado por um Coro. A maior parte do texto de Romeu e Julieta é, contudo, escrita em versos brancos, muitos deles dentro do pentâmetro iâmbico, com menor variação rítmica do que a maioria de suas peças posteriores. Shakespeare escolhe suas formas poéticas de acordo com o personagem que irá falar. Frei Lourenço, por exemplo, utiliza as formas do sermão e da síntese, e a Ama usa unicamente o verso branco correspondendo rigorosamente à fala coloquial. Cada uma dessas formas também é moldada à emoção da cena em que o personagem ocupa. Romeu, por exemplo, no início da peça tenta usar o soneto de Petrarca para falar de Rosalina - provavelmente porque essa forma era frequentemente utilizada pelos homens que possuíam o intuito de elogiar a beleza das mulheres cujo amor era impossível de atingir pela falta de reciprocidade, como na situação dele com Rosalina. Essa forma de soneto também é usada pela Senhora Capuleto quando ela tenta convencer sua filha do homem maravilhoso que o Conde Páris é.

Quando ocorre o encontro entre Romeu e Julieta, a forma poética muda: do soneto petrarquiano (que estava se tornando arcaico na época de Shakespeare), temos uma forma mais contemporânea de soneto, usando metáforas como "peregrino" e "santos". Finalmente, quando os dois se encontram no terraço, Romeu tenta usar a forma de soneto que sensibilize seu amor, mas Julieta rompe a técnica ao dizer: "Acaso ainda me amas?" Ao fazer isso, ela busca uma expressão verdadeira e sincera, ao invés de uma exageração poética do amor de ambos. Nas falas de Julieta, Shakespeare usa palavras com monossílabos quando ela está diante de Romeu, e linguagem formal quando diante de Páris. Outras formas poéticas usadas na peça são o epitalâmio (em Julieta); a rapsódia (no diálogo que Mercúcio cita uma tal de Rainha Mab), e a elegia (em Páris). Na linguagem da peça, Shakespeare economiza seu estilo prosaico, utilizando-o com mais frequência nas falas das personagens mais pobres, embora ele as use também em outras, como em Mercúcio. O humor, por sua vez, é um elemento importante na obra: o estudioso Molly Mahood identificou, pelo menos, 175 trocadilhos no texto. Muitos desses trocadilhos são piadas de natureza sexual, especialmente as que envolvem Mercúcio e a Ama.

Psicanálise
Os primeiros críticos psicanalíticos da peça viram um grande problema no enredo de Romeu e Julieta: a personalidade impulsiva de Romeu, decorrente de uma suposta "agressão mal-controlada e dissimulada", que levou Mercúcio para a morte e também o suicídio dos amantes. Romeu e Julieta não é considerada como uma peça psicologicamente complexa, e sua leitura psicanalítica se atenta a trágica experiência masculina com a doença. Norman Holland, escrevendo em 1966, considerou o "sonho de Romeu" como um "desejo realista que satisfaça a fantasia de ambos em termos do mundo adulto de Romeu e suas hipotéticas fase oral, fálica e edípica na infância, tão frequentes no desenvolvimento psicossexual". Hollanda aproveita e reconhece que um personagem dramático não é um ser humano com os processos mentais separados dos do autor. Críticos como Julia Kristeva focam-se no ódio entre as duas famílias, argumentando que esse ódio é a causa da paixão de Romeu e Julieta, e salienta que essa sua compreensão se manifesta de forma muito clara na linguagem dos dois: Julieta, por exemplo, diz "o meu único amor nasceu do meu único ódio" e, muitas vezes, expressa sua paixão através da antecipação da morte de Romeu. Essas interpretações conduzem a uma especulação quanto à psicologia do dramaturgo, em particular pelo luto que, dizem os psicanalistas, Shakespeare foi obrigado a assumir diante da morte de seu filho Hamnet.

Feminismo
A crítica feminista argumenta que a culpa da briga entre as famílias de Verona reside no sistema de sua sociedade patriarcal. Para Coppélia Kahn, por exemplo, o código de violência restritamente masculino imposto a Romeu é a principal força-matriz de sua tragédia; quando Teobaldo mata Mercúcio, Romeu torna-se violento, lamentando que Julieta tenha o feito "afeminado". Nesta perspectiva, os jovens do sexo masculino "tornam-se homens" por intermédio da violência em nome de seus pais ou, no caso dos funcionários ou serviçais, de seus patrões ou mestres. Na peça, a rivalidade também está ligada à virilidade masculina, como demonstram suas inúmeras piadas sobre a "cabeça das solteiras". Julieta também delega um código de docilidade feminina, permitindo que outros, como o Frei, resolvam seus problemas por ela. Outros críticos, como Dympna Callaghan, vê o feminismo na peça sob um ângulo histórico, sublinhando que quando a peça foi escrita e encenada, a ordem feudal era contestada pelo governo inglês, que estava cada vez mais centralizado e influenciado pelo capitalismo; ao mesmo tempo, as novas ideias puritanas acerca do casamento estavam menos preocupadas com os males da "sexualidade feminina" do que as das épocas anteriores, e mais simpáticas em relação às peças que tratavam do tema do amor: assim, quando Julieta evita a tentativa de seu pai de obrigá-la a se casar com um homem pelo qual ela não nutre sentimento algum, ela estaria desafiando esta ordem patriarcal de uma forma que não teria sido possível em um momento anterior da história.

Teoria homossexual
É uma teoria sobre a identidade de gênero que afirma que a orientação sexual e a identidade sexual ou de gênero dos indivíduos são o resultado de um constructo social e que, portanto, não existem papéis sociais de gênero sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais. Baseados nesses fundamentos, seus estudiosos se atentam na questão da sexualidade de Mercúcio e Romeu, comparando a amizade de ambos com o amor sexual: Mercúcio, numa conversa amigável, menciona o falo de Romeu, sugerindo vestígios de homoerotismo entre os dois. Um exemplo é quando ele diz: "O que o magoara fora invocar no círculo da amada um espírito estranho e aí deixá-lo até que ela o tivesse exorcismado." O homoerotismo de Romeu também pode ser encontrado em sua atitude diante de Rosalina, uma mulher que está distante e que não quer saber dele, e que não demonstra nenhuma esperança de descendência. O primo de Romeu até argumenta que é melhor substituí-la por alguém que é recíproca. Os "sonetos de procriação" de Shakespeare descrevem um outro jovem que, como Romeu, está tendo dificuldades para ter filhos e que é homossexual. Os críticos dessa teoria acreditam que Shakespeare pode ter utilizado Rosalina como forma de expressar os problemas íntimos que os homossexuais enfrentam por conta de suas faltas de procriação. Nessa perspectiva, quando Julieta diz "O que chamamos rosa [os críticos dizem que ela faz alusão à Rosalina, sob uma outra designação teria igual perfume", talvez ela esteja levantando a questão de saber se existe alguma diferença entre a beleza de um homem e a beleza de uma mulher.

Dualidade
Segundo Caroline Spurgeon, "… em Romeu e Julieta a imagem dominante é a luz, e todas as formas e manifestações da mesma: o sol, a lua, as estrelas, o fogo, os raios, os flashes de pólvora e a luz que reflete a beleza e o amor, enquanto que, em contrapartida, temos a noite, a escuridão, as nuvens, a chuva, a névoa e a fumaça."

Em verdade, os estudiosos têm longas críticas e análises acerca do amplo uso da "luz" e da "escuridão" que Shakespeare fez questão de utilizar na peça. Esse uso é uma técnica estilística muito facilmente encontrada na literatura para referir em linguagem descritiva uma experiência sensorial. Caroline Spurgeon considera esse tema da luz como "um símbolo da beleza natural do amor juvenil" e essa interpretação serviu de argumento para outros críticos. De maneira resumida, podemos dizer que Romeu e Julieta vêem-se como uma luz na escuridão circundante: o primeiro descreve a amada como se ela fosse o sol, mais brilhante do que uma tocha;  uma jóia que brilha no escuro das noites, e um brilhante anjo entre nuvens negras. Até mesmo quando Julieta está (aparentemente) morta, ele diz: "... a insígnia da beleza em teus lábios e nas faces ainda está carmesim, não tendo feito progresso o pálido pendão da morte ..." Julieta, por sua vez, descreve Romeu como "dia em noite" e "mais branco do que neve sobre um corvo."

Esse contraste entre claro e escuro presente no diálogo de ambos pode ser uma clara metáfora para amor e ódio, juventude e maturidade. Por vezes esses entrelaçamentos metafóricos criam o que se chama hoje de ironia dramática, uma vez que o amor de Romeu e Julieta é uma luz no meio do ódio de seus familiares, que seria a escuridão, mesmo que os dois jovens vivam um relacionamento apaixonante na luz da noite, enquanto seus parentes briguem em plena luz do dia. Uma vez existindo esses supostos paradoxos na peça, cria-se uma atmosfera do dilema moral que os amantes terão que enfrentar: ser fiel à família ou ser fiel ao amor?

No final da história, quando a "manhã é sombria e o sol esconde seu rosto de tristeza", segundo as palavras do próprio Príncipe de Verona, a luz e a escuridão retornam a seus devidos lugares, e isto reflete a verdadeira escuridão interior da luta entre as famílias diante da tristeza pelos amantes. Os personagens então reconhecem seus erros à luz dos recentes acontecimentos, e tudo volta à ordem natural, "graças ao amor de Romeu e Julieta". Além disso, o tema da "luz" e "escuridão" também pode ser interpretado como uma forma ligada ao tempo, e assim os dramaturgos da Inglaterra quinhentista expressavam a passagem de tempo através de descrições do sol, da lua e das estrelas, enfim.

*textos retirados do Wikipédia




Cinema:
Nova versão de Romeu e Julieta encontra o seu Romeu
A nova versão de Romeu e Julieta encontrou o seu Romeu. O escolhido é o jovem ator inglês Douglas Booth (minissérie The Pillars of the Earth).

Segundo a Variety, Booth disputava o papel com outros 300 candidatos. Ele formará dupla com a atriz Hailee Steninfeld (Bravura Indômita) que viverá a Julieta
McPhee deve interpretar Benvolio, o primo de Romeu.

Ed Westwick (série Gossip Girl) será Tebaldo, primo de Julieta e Holly Hunter (série Saving Grace) viverá a fiel ama de Mercucio, a filha única dos Capuleto. Kodi Smit-McPhee (Deixe- Me Entrar)  será Benvolio, o primo de Romeu.

Não foram divulgados detalhes sobre como essa nova versão da clássica história escrita por William Shakespeare. O roteiro foi escrito por Julian Fellowes (O Turista). O italiano Carlo Carlei (Lembranças de Outra Vida) dirige.

O filme que terá um orçamento de US$ 15 milhões começaram a ser rodado em junho desse ano na Itália.

21 comentários

  1. Caramba, que confusão!! Não li ainda Julieta Imortal, talvez por isso esteja confundindo Julieta-Ariel e Ben que não é Romeu e Romeu que é... Hã... assassino? Só lendo mesmo pra entender, né?
    Vou ler ( e torcer pra tudo dar certo pro Romeu, pq tenho uma quedinha por ele rsrs). Amei as montagens e ADOREI a parte de curiosidades. Sou louca por esse tipo de pequisa.
    Parabéns pelas montagens. Estão LINDAS como sempre!!

    Beijoooos

    ps. Mercucio e Romeu gays?? Ah esses críticos cheios de teoria prontos pra dissecar uma obra...

    ResponderExcluir
  2. Amigaaa!!
    Linda a resenha, amei as montagens!!!
    Parabéns!!!!

    Ai, já etava com vontade de ler o livro, agoa então!!

    Beijos,coração!!

    http://kastmaker.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  3. Adorei o post, super completo, com todas as informações que a gente se pergunta durante a leitura de uma resenha. Show!
    Já li alguns comentários um pouco negativos a respeito desse livro, mas sigo curiosa. Não sei, realmente, se o enredo me agradaria (além de achar que releitura de clássicos tendem a ser perigosas, mas acho super válido dar uma cara nova a uma história já consolidada).

    Bjo!
    escrevendoloucamente.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Adorei o post... lindo e lindo...
    Quero muito esse livro, todos falando tão bem ;)

    Beijos,
    Lariane - www.leiturasedevaneios.com.br

    ResponderExcluir
  5. Gosto muito do original, apesar de concordar com muitos quando dizem que esse amor só é "eterno" porque durou pouco... rs.
    Particularmente não gosto desse tipo de adaptações, mas parece um livro interessante ao seu modo.
    Agora a capa, essa sim é belíssima.
    Bjkas,
    Monique Martins
    MoniqueMar
    @moniquemar

    ResponderExcluir
  6. Tb não curto Shakespeare e nunca li nada dele... E não sei se quero ler... Me interessei por esse livro mais pelo fundo sobrenatural e pela briga do bem e do mal... E cá entre nós não precisamos ler Shakespeare para conhecer as histórias dele, tão conhecidas por ai... Gostei da resenha, mas não sei definitivamente se quero ler o livro... Acho a capa linda... Porém, acho que a história é um tanto confusa... Minha sócia de blog leu e achou o livro perfeito, mas tb achou confuso... A parte sobre curiosidades está magnífica Patthy!

    ResponderExcluir
  7. Ah, que esqueci de dizer que isso me lembra o tal poema... João amava não sei quem que amava fulano que amava ciclano que não amava ninguém... hehehe

    ResponderExcluir
  8. A postagem mais linda que eu vi até agora sobre o livro, parabéns. Em relação ao livro propriamente, eu amo esta história (original) e estou muito curiosa para conhecer esta versão. Bjs, Rose.

    ResponderExcluir
  9. Resenha perfeita...
    Cada detalhe desta resenha é bem colocada e me fez ficar muito mais ansioso com a leitura deste livro.
    Parabéns!

    Matheus Gaudard, Autor da Antologia Matriz - Contos, Poesias e Cia
    http://www.matheusgaudard.com.br/p/loja-literaria.html

    ResponderExcluir
  10. E quando todos acharam que Romeu e Julieta estariam no mundo dos espíritos "felizez para sempre", surge Stacey Jay, para nos mostrar que a coisa não foi tão simples assim. Pelo contrário...eles não tiveram o felizes para sempre...estão separados por séculos...com suas missões.

    Pela resenha eu tive uma impressão de resgate cármico...e as consequências das escolhas deles...mas sinceramente eu imagina a história de outra forma. Como eles cometeram "suicídio" suas almas estarima separadas e através das missões eles poderiam enfim se unirem novamente...mas Romeu escolheu um caminho e Julieta outro. E isso é bem estranho, pois o amor deles era mt forte...mais estranho ainda é ver a Julieta apaixonada por outro...rs...esse Ben deve ser demais mesmo (quero mt ler para conhecê-lo melhor).

    Enfim, deixarei críticas e elogios para quando eu tiver a minha impressão da história...e pode apostar vou ler correndo para chegar logo na página 57..rs.

    ResponderExcluir
  11. Ainda não li o livro mas a impressão que tenho é que Julieta Imortal usa muito mais o Romeu e Julieta de Shakespeare como referência, até porque a própria história deles como casal é apresentada de forma diferente, já que ele a matou propositalmente.
    Meu interesse neste livro tem crescido (bastante) e se deve as resenhas que me deixam mais e mais instigada e curiosa!
    A história criada a partir desta oposição Luz e Trevas embora conhecida parece ser contada de uma forma bem interessante pela autora.
    Conheci pessoas que acharam o livro desinteressante, talvez exatamente por não terem alcançado a página 57... rs Ainda estavam na parte confusa da história que como você mesma disse pode acarretar em abandono.rs
    Adorei a resenha
    twitter:@saaneflores

    ResponderExcluir
  12. Nossa, parabéns pela resenha sem duvida nenhuma foi a melhor que li até agora.Nunca fui muito fã de Romeu e Julieta ,claro que é uma história muito bonita mas tem seu lado irritante rsrsrs.Depois desta super resenha rsrsrs fiquei muito curiosa em ler este livro.Achei fantástica essa mudança bem no estilo que gosto rsrsrs.Mas só terei uma definição sobre essa "Julieta" e desse "Romeu" quando tiver a oportunidade de ler.

    BJS
    @katiakrugger

    ResponderExcluir
  13. Oh...terá continuação??? Que pena ando tão farta de series e afins...gostei mto da historia. Gosto de livros que usam personagens classicos em um novo enredo!Gostei mto da capa e do titulo.E quanto a resenha, esse formato q usam no blog é mto interessante e diferente. Adorei. Bjkss

    ResponderExcluir
  14. Nossa que resenha grande 0.0 Mas eu volto a dizer Pat voce tem talento com as imagens *_* Eu AMO as resenhas do GMN tenho que confessar que eu não li tudo, to com sono >.< Mas eu volto e termino de ler prometo *_* Ahhh engraço é o livro da Julieta sem a julieta rsrsrs Ah amei amei amei a resenha *_* parabéns!!!

    @anasofiachang

    ResponderExcluir
  15. Nunca tinha parado para ler uma resenha desse livro. Li a sua e gostei bastante. Quero ler :) Parabéns pela resenha! O livro parece ser bem legal :)

    bjs

    ResponderExcluir
  16. Bah, estou terrivelmente louca para ler este livro. Não posso dizer que "nunca gostei" da história de Romeu & Julieta, mas confesso que sempre achei piegas e dramática de mais. Porém, em algum momento, comecei a me interessar por outras versões da história, como o livro Julieta, que eu recomendo a leitura.
    Logo na primeira vez que vi em um blog sobre o livro, já me apaixonei pela capa (eu AMO capas), e quando eu li o título então fiquei maravilhada. Eu preciso ler este livro, sério! Semana passada entrei na livraria, e estava pronta para comprar ele, mas acabei comprando um sobre gravidez (já que vou ser tia de gemeos, *-*), e então o dinheiro ficou curto. hehehe
    Sobre a resenha, ela me mostrou aquilo que eu já imaginava: vou me apaixonar pela nova versão criada. Talez eu tenha alguns problemas com o tal do Ben, e me encante terrivelmente com o inconsequente (e malvado, huhu!) do Romeu... mas isso é normal, ou melhor, isso é um dos motivos pelo qual quero ler este livro.
    Enfim, eu PRECISO de Julieta Imortal, sabe como é, desejo de futura titia de gêmeos. HEHEHEHE

    ResponderExcluir
  17. Eu quero tipo muitooooooooo o livro julieta imortal eu li um pouquinho dele e amei,o enredo é maravilhoso nunca fui muito fã de romeu e julieta mais prefiro a versão clássica,mas está que Stacy nos mostrou é muito boa, adoraria ler este livro.A capa é simplesmente perfeita.parabéns pela resenha.

    ResponderExcluir
  18. Adorei a resennha e as curiosidades! Muito legal esse livro. Adoro esse tipo de autores sabe? Esses q pesquisam bastante e fazem uma história com bastante conteúdo e coisas antigas colocadas no cotidiano. Bahhh! amei o livro.. Promo me aguarde...

    ResponderExcluir
  19. Eu nunca li a obra original de Romeu e Julieta, Só sei o que todo mundo sabe, o resumo da obra.
    Adorei os quotes e quero ler essa nova versão.
    E fiquei sabendo que vai ter continuaçõ.

    Bye

    ResponderExcluir
  20. Acho que deve ser engraçada essa versão!

    ResponderExcluir
  21. Gostei muito da sua resenha muito bem explicada e gostei muito também das curiosidades,eu também nunca li o original,mas sei a história que todo mundo conta,estou duriosa para ler esse livro.

    ResponderExcluir

Deixe seu Comentário!