Resenha: A Visita Cruel do Tempo - Jennifer Egan

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sinopse: Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, A visita cruel do tempo é composto por histórias curtas - 13 faixas sobre relações familiares, indústria fonográfica, jornalismo de celebridades, efeitos da tecnologia, viagens e a busca por identidadeversus o esfacelamento de ideais -, interligadas pelas memórias de um grupo de personagens em diferentes pontos de suas vidas.

Bennie Salazar é um executivo da indústria fonográfica. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última - e suicida - turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo.

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Mesmo estando super empolgada pela qualidade gráfica da capa e dos capítulos, assim como dos tão falados prêmios recebidos pela autora, demorei muito para conseguir ler e digerir A Visita Cruel do Tempo. Este definitivamente é um livro de "verdade" e quando falo isso, é porque ele simplesmente está recheado dela em cada linha, cada frase dele é simplesmente tecido pela autora com uma trama que fala a verdade sobre os seres humanos, suas escolhas, seus erros e principalmente suas vidas que continuam correndo, muitas vezes a palavra é "escorrendo" pela ampulheta do tempo.

Usando uma perspectiva ímpar, Jennifer Egan é como uma pintora sobre as páginas de A Visita Cruel do Tempo, alternando a narrativa entre 1a. e 3a. pessoa, utilizando diferentes pontos de vista ela vai pintando vidas e interligando histórias. Mesmo que as vezes o livro tenha me parecido um pouco desconexo, aos poucos tudo foi se encaixando e a cada mínimo detalhe o leitor vai montando e conhecendo a fundo as vidas pintadas por ela e embora tenha utilizado muita reflexão das personagens e pouca ação em muitos momentos, engana-se quem acha que isto torna a estória monótona.

Embarcamos de carona com muitas personagens e isso é o que torna a leitura mais diferenciada e as vezes confusa, exigindo muita atenção e sobre tudo disponibilidade do leitor para a apreciação da obra. Através deles companhamos desde os sonhos, as expectativas para o futuro, aos erros de percurso, escolhas mal feitas e lamentadas profundamente, refletimos muito sobre o "se" junto com eles: "se" eu tivesse feito diferente? dentre outros. Vislumbramos novas alternativas e novas escolhas sendo realizadas e a perspectiva de mudanças ou reincidências...assim como em nossas vidas.

Mesmo sem reviravoltas a complexidade da narrativa nos deixa um pouco desorientados em alguns momentos, mesmo assim, Jennifer flui suas pinceladas nas páginas de A Visita Cruel do Tempo no mesmo rítmo dos ponteiros do relógio, e assim, passeamos pela década de 70, conhecemos pessoas que estiveram ou curtiam algumas lendas do rock em início de carreira, visitamos lugares e sentimos junto com elas todo o peso e a decadência que nos acompanham com o passar do tempo e carregamos este peso junto com elas.

- Não sei o que aconteceu comigo - falou, balançando a cabeça. Não sei mesmo.
(...) - Você cresceu, Alex - disse ele. - Igual a todo mundo.




Embora eu tenha demorado à conseguir entrar na vibe do livro e também a me acostumar com o estilo da escrita empregada pela autora, gostei bastante da leitura, mas para mim o mais perturbador foi também demorar para sair de A Visita Cruel do Tempo, visto que do alto dos meus 33 anos, muitas vezes já me vi angustiada e refletindo sobre o "se" e as escolhas que já foram realizadas por mim, assim como lamentando o peso do tempo sobre minhas costas e a limitação de perspectivas que o passar do tempo infelizmente nos impõe com mãos de ferro.

 " A pausa faz você achar que a música vai terminar. E aí, quando a música na verdade não termina, você fica aliviado. Mas depois a música termina mesmo, porque toda a música termina, é claro, e DESSA. VEZ. O. FIM. É. PRA. VALER."


Mais uma vez a Intrínseca está de parabéns por colocar no mercado um livro que realmente proporciona mais do que um bom entretenimento, com uma capa que faz jus à narrativa e com diagramação e a parte gráfica impecáveis, A Visita Cruel do Tempo é uma ótima aquisição para quem procura mais do que apenas um livro da moda, mas sim um livro sobre a vida em todas as suas fases e sob muitas perspectivas.



5 comentários

  1. Resenha perfeita...
    Parabéns ;)
    http://matheusgaudard14.blogspot.com/

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  2. Muito boa resenha! Já desejei esse livro, depois "des-desejei", agora estou quase querendo-o de novo, rs. Parabéns! ;)

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  3. Parabéns pela resenha Scheila! Estou ansiosa para ler A Visita Cruel do Tempo! Beijos!

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  4. Excelente resenha Scheila! O resenha me passou a impressão de ser um livro difícil, mas também de ser um livro ótimo! A capa realmente combina com o que vc descreveu! Leria sim, com gosto. Porque gosto de livros assim... Ao mesmo tempo que de complexo não tem nada tem tudo... Parece ser excelente!

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  5. UAU Scheila! Sem brincadeira não tinha o minimo de interesse em ler esse livro, apesar de toda a "propaganda" feita sobre ele simplesmente não chamou minha atenção.

    Lendo a sua resenha percebi que preciso desse livro; gosto de mudar conhecer novos tipos de escritas e conseguir tirar para minha vida algo para comentar com os amigos e quem sabe colocar em pratica!

    Você realmente conseguiu me fazer mudar de idéia

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