Resenha: Inferno - Dan Brown por Marcelo Quintão - @editoraarqueiro

sábado, 22 de junho de 2013

Inferno
Dan Brown
I.S.B.N.: 9788580411522

“Busca e encontrarás! Essa é a mensagem da bela senhora de cabelos prateados. Diante dela estende-se um mar de corpos agonizantes, alguns enterrados de cabeça para baixo até a cintura – uma cena bizarra, dantesca. Langdon tenta fazer contato, perguntar quem é ela, o que deve procurar… Mas então ele acorda. Desmemoriado, ferido, a milhares de quilômetros de casa. E de posse de um objeto muito misterioso: um minitubo de metal, com lacre biométrico e o ícone de risco biológico gravado na lateral. Decidido a não abrir o tubo, que pode conter algum material muito perigoso, o renomado simbologista entra em contato com o consulado, em busca de ajuda. Mas algo inesperado acontece: o governo de seu próprio país manda alguém matá-lo. Quando já não sabe mais o que fazer, Langdon encontra a primeira pista que o ajudará a descobrir o que está acontecendo: a imagem do Mapa do Inferno, de Botticelli, uma famosa obra de arte inspirada no Inferno, de Dante Alighieri. Na companhia de Sienna Brooks, uma jovem médica superdotada, ele parte numa jornada alucinante pela Itália, até um dos lugares mais fantásticos do mundo. Dessa vez Robert Langdon precisa usar sua grande habilidade como simbologista para salvar a própria vida e conter uma ameaça que pode destruir toda a humanidade.”



“Descendo, estão os amaldiçoados pelo lobo
O mestre despreza seu nome
Navego para a próxima planície
Os rabugentos e os vaidosos
Sofrem por ganância
Os pródigos sangram
Por toda a eternidade
Plutão segura a chave” 
Iced Earth – Dante’s Inferno


Antes de começar a resenha eu queria apenas dizer uma coisa, SIM, eu VOU falar de DAN BROWN, então vou deixar claro que eu gosto de suas obras e eu entendo completamente às pessoas que falam que já é tudo a mesma coisa, porém, peço apenas que levem em consideração todos os fatos que eu vou apontar nesta resenha antes de começar a reclamar que Dan Brown começou a ficar repetitivo.
Mas antes, devo apresentar, pelo menos superficialmente, a obra central que gerou este livro, e o impacto que causou na época.
A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a Esfera armilar e o meridiano onde é Jerusalém hoje, seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da terra santa o Portal do Inferno. Portanto o Inferno, responderia pela depressão do mar Morto onde todas as águas convergem, e o Paraíso e o Purgatório seriam os segmentos dos círculos concêntricos que juntos respondem pela mecânica celeste e os cenários comentados por Dante num poema que envolve todos os personagens bíblicos do antigo ao novo testamento são costumeiramente encontrados nas entranhas do inferno sendo que os personagens principais da Divina Comédia são o próprio autor, Dante Alighieri, que realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo, e seu guia e mentor nessa empreitada é Virgílio o próprio autor da Eneida.
A obra em sua época, quase que quadruplicou, isso mesmo, o número de fiéis da igreja, pois detalhava com uma inimaginável série de eventos e riqueza de detalhes, os contornos e o cerne do Inferno, Purgatório e Paraíso, os três compêndios que compõem este clássico da literatura mundial. Dante demonstrou que a língua toscana (muito aproximada do que hoje é conhecido como língua italiana, ou língua vulgar, em oposição ao latim, que se considerava como a língua apropriada para discursos mais sérios) era adequada para o mais elevado tipo de expressão, ao mesmo tempo que estabelecia o toscano como dialeto padrão para o italiano, fazendo que sua obra fosse lida por qualquer classe. 
Agora, começarei! Chega de ladainha! Nesse mês de Maio a Editora Arqueiro lançou o último livro do autor Dan Brownquase simultaneamente com o lançamento mundial. Inferno é mais uma aventura do professor Robert Langdon e se passa na Itália, na maior parte do tempo na cidade de Florença.


Em Inferno temos uma mistura de literatura, pintura, arquitetura, todo um mundo de arte que nos deixa fascinados. É impossível ler sobre um quadro e não correr no computador para ver sua imagem. Não tem como ler sobre um determinado lugar ou ponto histórico da Itália e não ir ao Google buscar as imagens. Eu já sabia tudo o que esperar de Inferno, mas mesmo assim a leitura me surpreendeu.
Primeiro ponto, é Dan Brown e é Robert Langdon. Prepare-se para encarar o mesmo sistema de capítulos intercalando cenários, personagens e acontecimentos que só vão se interligar no final. Prepare-se para um começo bombástico, um meio lento e um final tenso em certo aspecto.
Enquanto que os outros livros dele fizeram-me mergulhar no mundo das artes e apreciar a narrativa por esses fatores, Inferno laçou-me por seu lado científico e social. O problema da superpopulação apresentado no livro faz com que seja impossível não pararmos para refletir sobre a atual situação que o planeta se encontra. E preciso aproveitar essa parte para falar: que vilão fantástico em Inferno. Sei que muitas vezes simpatizo com o vilão, hehehehe, mas dessa vez posso dizer que realmente simpatizei com o cara. É ele quem expõe o problema da superpopulação e é ele quem encontra uma solução para a questão. O pior é que durante a leitura os argumentos dele foram tão convincentes, que passei para o lado dos bandidos; inúmeras vezes.
Sim, confesso sem nenhuma vergonha. O vilão expõe um problema real, de proporções gigantescas e é impossível não ver que ele em muitos aspectos é convincente no que fala. Claro que passamos a narrativa inteira pensando que o sujeito vai resolver as coisas de um jeito completamente dramático, aterrador e arrasador, mas nem assim consegui deixar de ver alguma razão naquilo que ele falava. Foi por isso que a cada página eu torcia para que Langdon falhasse. Eu simpatizo com o professor, mas ele tem um lado humano muito forte, que não lhe permite ver com a razão os fatos expostos, que não lhe permite enxergar uma equação matemática simples, e Langdon não consegue enfrentar isso por ser uma pessoa muito ligada às suas emoções.

Inferno também me surpreendeu por trazer apenas uma crítica à Igreja Católica. Acostumei-me em algumas de suas obras, e acho que esperava ver mais críticas e revelações sobre a religião, mas o autor se conteve e fez um singelo comentário, que talvez vá incomodar os mais conservadores, mas já está na hora de essas pessoas terem a mente mais aberta para as questões sexuais.

“Formula do Sucesso Dan Brown” está completa aqui, e eu não vejo problema nisso. É isso que ele faz, muito bem por sinal, é esse o estilo dele, a identidade dele, e mesmo assim, ele consegue trazer algo muito bom para o leitor. Consegue trazer uma sessão de cultura que explora obras de arte e lugares que muitas pessoas só tem o prazer de conhecer assim, pelas páginas do livro dele. Fico imaginando a quantidade de pessoas que vão querer ler A Divina Comédia (que é uma obra incrivelmente fantástica e li ela a mais ou menos uns 15 anos), pela forma com que Dan Brown apresenta e destrincha, esmiuçando a obra durante todo o seu livro. 

E nesse ponto, do… “estilo Dan Brown”, podemos citar vários autores que são mundialmente conhecidos e ainda assim tinham seu jeito único que não mudava muita coisa. E se você quiser nomes, podemos citar Chuck PallahniukArthur Conan Doyle, Agatha Christie… entre outros. E daí? Eles são fantásticos. Então que continuem nessa formula, logicamente quem ainda está vivo. :P

Sobre a história em si, eu achei ela uma das melhores entre os outros livros do autor, ela fica ali páreo a páreo com Ponto de Impacto e O Símbolo Perdido que são meus preferidos, respeitando o gosto de cada um em particular obviamente.

As vezes o livro fica um pouco lento e você quer que a história realmente comece a acontecer, mas porque conhecemos muito mais do psicológico dos personagens, suas motivações são muito mais exploradas do que eu me lembrava dos outros livros e seus motivos também acabam se tornando muito mais reais e palpáveis, pois se trata de um problema que você consegue imaginar e até mesmo escolher um lado durante a história.

Dan Brown me ganhou em vários aspectos nesse livro (Principalmente porque ele conseguiu ser irônico em certos aspectos). Seja pelo exímio cuidado com que ele tratou a obra de Dante ou como retratou a Itália. E principalmente por não resolver enfrentar a Igreja Católica, como citei mais acima, mas colocar agora um inimigo comum que pode acabar com a humanidade de um jeito bem sutil. Com um final muito bom.

Este mesmo final, por outro lado, me fez questionar algumas outras coisas com minha SEMPRE visão de Historiador, a solução encontrada para o problema da superpopulação deixou-me satisfeito e devo confessar que foi o desfecho que imaginei.  O mais interessante é que ao fechar, possamos refletir se não seria essa a real solução para um problema que indiscutivelmente existe e só cresce a cada dia, mas como fala em uma parte do livro, mais precisamente na página 205; -“(...) A negação é um elemento essencial do mecanismo de defesa humano. Sem ela, todas as manhãs acordaríamos apavorados só de pensar em todas as maneiras como poderíamos morrer. Em vez disso, nossa mente bloqueia o medo existencial, concentrando-se em estresses com os quais podemos lidar: como não chegar atrasado no trabalho ou como pagar as contas em dia. Mesmo que tenhamos medos mais graves, de natureza existencial, nós os descartamos bem rápido para nos concentrar em tarefas simples e banalidades cotidianas (...)”.

Fiquei satisfeitíssimo com Inferno e a questão social que abordou. Acredito que o final tenha sido escolhido por ser algo que reflita a opinião do autor sobre o tema. Se a intenção dele era colocar o mundo para refletir sobre o problema, ele, em meu ponto de vista, atingiu o objetivo. Tenho certeza que muita gente vai ficar pensando nisso por dias, eu pelo menos estou. Há algum tempo.

Enjoy!

“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.
Dante Alighieri

6 comentários

  1. Eu estou lendo esse livro e estou amando, adoro Dan Brown e não acho que ele tenha caído no mais do mesmo, ele usa a mesma temática e etc, mas ainda sim consegue surpreender bastante, amei o cenário de fundo e a riqueza em detalhes, amei a resenha!

    Estandy Books - A Estante da Andy

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  2. Incrível como a frase em destaque no livro se casa perfeitamente aos novos tempos que vivemos.
    Excelente resenha, Marcelo.
    Abraços

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  3. Estou com o livro pra começar a ler...
    Já li todos e sou apaixonada por todos...Sei que esse vai entrar pro hall das paixões..

    Bjos e uma boa semana

    http://arteasavessas.blogspot.com.br/

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Galera, o livro realmente é bom, mas temos que ver/ler ele com os nossos olhos e as nossas criticas, obrigado pelas palavras Sueli e Andy.

    Salute!

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  6. Oi adorei sua resenha!.. muito obrigado...me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços. www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?
    busca.livrariasaraiva.com.br/saraiva/Reverso
    www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html

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