RESENHA ARRABAL E A NOIVA DO CAPITÃO - MARISA FERRARI

sexta-feira, 18 de abril de 2014


ISBN: 9788581633831
Selo: NOVO CONCEITO / NOVAS PÁGINAS
Ano: 2014
Edição: 1
Número de páginas: 368
Formato/Acabamento: 16x23x2,4
Peso: 0.51 kg
Preço Sugerido: R$ 29.90
Área Principal: FICÇÃO
Assuntos: LITERATURA NACIONAL | ROMANCE
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Sinopse: Giordano e Giuseppe são idênticos na aparência, mas suas almas não poderiam ser mais diferentes. O bravo Giordano é o capitão-chefe da Guarda Real. Giuseppe é um ator de coração puro e alegria contagiante que viaja com sua trupe para se apresentar nas praças e castelos da região. De caráter inflexível, Giordano tem como sua maior missão proteger o Rei. Por sua vez, o sonhador Giuseppe deseja escrever uma peça de teatro com diálogos, o que seria uma inovação para a época. Embora não sejam propriamente amigos, os dois irmãos vivem uma espécie de acordo de cavalheiros, respeitando o espaço um do outro e lidando com o delicado estado de saúde de sua mãe. Até que a formosa Luigia acaba com a paz da família Romanelli... Arrabal e a Noiva do Capitão nos transporta para a incrível Nápoles do século 18, magistralmente reconstruída por Marisa Ferrari. Uma história que resgata a magia do teatro e nos convida a compreender a beleza que existe nas contradições.



Oi gente!

O livro da resenha de hoje é Arrabal e a Noiva do Capitão, escrito por Marisa Ferrari e publicado pela Editora Novo Conceito, sob o selo Novas Páginas. Marisa é carioca e jornalista pós-graduada em Filosofia Antiga. Autora de poemas, roteiros de cinema e peças de teatro, entre eles o musical infantil “Um Príncipe Desencantado”.

O livro conta a história de dois irmãos gêmeos e uma linda e jovem viúva. Nápoles é onde tudo acontece e, antes que possamos adentrar na magnitude da trama, nos vemos por um longo tempo dentro do mundo de Arrabal e sua trupe. Arrabal é o nome artístico de Giuseppe, um artista, poeta... uma espécie de saltimbanco. Vive com sua trupe em uma carroça, levando peças engraçadas e também lindas óperas por onde passam. O único problema é que eles são discriminados, embora divirtam o povo, e por isso vivem muito pobres.
“Arrabal balançou a cabeça e afastou as lembranças. Esgueirou-se por entre os arbustos para perto do palácio. Havia luz na cozinha e guardas perto dela. Parou por um instante. Parecia impossível alcançar a porta sem ser visto. Os guardas jogavam qualquer coisa que os entretinha sobre um tronco de árvore, mas se corresse certamente seria pego. Desistiu e começou a se arrastar de volta para a saída. Então, o choro de sua mãe, sofrido e alto, se fez ouvir. Era de novo aquele lamento triste, aquela mesma dor que ele conhecera desde a infância.” (P. 15)
Já, no outro lado dessa vida, temos seu irmão Giordano, um capitão da guarda real, que é poderoso e influente. Vive em meio às batalhas e às lindas mulheres, nada lhe falta. O problema dos dois irmãos reside na família, onde eles possuem uma mãe doente da cabeça desde que eles nasceram, e um pai autoritário que nega a existência de Arrabal.
“Quando Giordano cruzou a Piazza Mercato, passava um pouco do meio-dia. Vinha à frente da tropa, ladeado por dois tenentes. Trazia no rosto certo ar de cansaço, mas que não lhe obliterava a altivez. Era alto, forte e elegante. Embora sua expressão fosse grave a maior parte do tempo, seus olhos, talvez pelo azul intenso, transmitiam um certo tipo de ternura. Tinha os cabelos como os de Arrabal: compridos, alourados, que mantinha presos à nuca.” (P. 93)
Tudo acontece de forma bem demorada e, às vezes, ilógica. As interessantes pitadas históricas sobre Nápoles e as batalhas são um pouco ofuscadas pelo excesso de expressões em italiano, que dificultam o andamento da leitura. Em alguns momentos, essas expressões e xingamentos em italiano são muito divertidas, mas é preciso que se tenha uma certa familiaridade com a língua para poder aproveitar.

A edição é belíssima, com as páginas bem formatadas, mas há algumas falhas na revisão. E, o maior problema, ao meu ver, é a demora em adentrarmos no verdadeiro motivo do enredo. Leva-se quase a metade do livro para entender realmente o que se passa. Durante todo o início temos somente a visão de Arrabal e isso deixa a história um pouco maçante. Somente quando temos também a participação do irmão Giordano é que as coisas começam a ficar mais interessantes.

Os personagens secundários ganham muito destaque e foi por esse motivo que não descrevi aqui mais sobre os personagens que dão nome ao livro, pois acho que estes não tiveram tanto destaque como mereciam.

O livro tem vários pontos positivos, como os costumes da época, a descoberta da verdadeira vocação, o amor pelas artes e pelos palcos. Mesmo que para alguns tenha custado muito abrir mão de tudo por seu verdadeiro sonho, ler a história do pessoal da trupe é inspirador e belo. Também tem tudo para ser uma grande obra, eu é que acabei achando um tanto monótono, pois embora tenha um enredo e personagens instigantes, peca em algumas coisas... talvez se fosse enxugado... não sei.

Desafio você a ler e me contar o que achou. Indico para quem gosta de livros com grande carga poética e personagens secundários com grande destaque.

Até a próxima!

8 comentários

  1. oi, Luciana gostei de sua resenha. Engraçado eu não li este livro ainda,porém o pouco que folheie e as passagens que li, tive bem próxima da sua análise. Vou conferi-lo em breve.

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  2. Bem legal a sua resenha,sincera e mesmo com os pontos negativos que você demarcou me deu vontade de ler.

    Já sei o que encontrarei e o que devo esperar do livro.... Acho muito legal a iniciativa da NC em publicar autores nacionais!!!!

    bjsss

    Bianca

    Apaixonadas por Livros

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  3. É... eu não conhecia este livro, gostei da sua resenha, mas não me conquistou sabe?
    A capa é muito bonita, quem sabe um dia... rsrsrsrrsrs

    bjo bjo^^

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  4. Não sei se leria, uma porque não é o meu estilo literário e outra que se a narrativa não for fluida e intensa eu dificilmente consigo me prender. Mesmo assim, creio que vala a pena para os fãs de um bom romance de época, principalmente por conta da poesia e costumes da Itália.

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  5. Esse livro não é o meu estilo, nunca gostei muito de poesia. Mas quem gosta vai adorá-lo

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  6. Você escreveu uma resenha tão empolgante! Apesar de não curtir muito livros com histórias de séculos passados, fiquei curiosa para ler o livro. E realmente, a capa é muito linda! <3

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  7. O livro parece ser interessante, mas ele não me chamou tanta atenção assim, não sei se irei gostar dele, mas pretendo ler para ver o que acho, a capa esta linda, e eu curto muito livros de época.
    Beijos!!!

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  8. Achei a capa muito linda e a resenha ficou muito boa.. E apesar dos pontos negativos, me deu muita vontade de ler esse livro ;)

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