Resenha - Proibido - Tabitha Suzuma - @EdValentina

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Proibido
Tabitha Suzuma

I.S.B.N.: 9788565859363
Cód. Barras: 9788565859363
Reduzido: 7815331
Altura: 23 cm.
Largura: 16 cm.
Profundidade: 1 cm.
Acabamento : Brochura
Edição : 1 / 2014
Idioma : Português
Número de Paginas : 304

Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de
uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.


Como uma coisa tão errada, pode parecer tão certa?
Um livro que descarrega uma grande carga emocional em cima do leitor. Me senti como se alguém tivesse simplesmente arrancado meu coração do peito com as mãos. 
Lochan é um garoto tímido. Com quase 18 anos sua vida é tentar dar conta da grande carga de dever de casa e estudos em busca de uma boa Universidade, as tarefas domésticas e a criação de seus irmãos menores. Afinal, como sua velha e bêbada mãe lhe lembra sempre: ele é o homem da casa.

Maya é doce, gentil e passional. Com seus pouco mais de 16 anos, já sabe que a vida não é um morango. Juntamente com Lochan ela equilibra a vida de estudante e os deveres da casa e da criação dos outros 3 irmãos menores.

Juntos, Lochie e Maya tentam desesperadamente dar estabilidade, amor e uma vida normal para a sua família. Juntos eles são os chefes desta família, mas até que ponto tanta responsabilidade pode ser aguentada por apenas 2 adolescentes?

Proibido foi uma leitura muito difícil ao meu ver. Este livro começa encantador, mesmo com toda a situação de desamparo destas crianças tentando viver sua vida o melhor possível, mesmo aos trancos e barrancos.
O pobrezinhos vão encontrando a felicidade nas pequenas coisas e nos gestos mais simples, e a medida que vamos os conhecendo e convivendo com eles, não tem como não se apaixonar.

Tabitha Suzuma alterna sua escrita em 1ª pessoa em capítulos entre o ponto de vista de Lochan e Maya e aos poucos vamos mergulhando neste mundo de abuso e extremo abandono materno, mas também de carinho, delicadeza e sobre tudo amor.
Sei tudo e mais alguma coisa sobre ter vergonha de um parente - o número de vezes  que desejei que minha mãe agisse como uma mulher adulta em público, já que não fazia em particular. É horrível sentir vergonha de alguém que você ama; é uma coisa que rói por dentro. E, se você deixar que te afete, se desistir da luta e se entregar, a vergonha acaba por se transformar em ódio.
Lochan - Proibido - pág. 35
Esta autora conseguiu mexer comigo desde o 1º capítulo, visto que como muitas mulheres hoje em dia, eu crio sozinha 2 filhas, mesmo assim, trabalho, estudo, dou atenção à elas, embora a Carol seja a minha escudeira, aos 17 anos ela me ajude a coordenar a casa e a cuidar da Lauren de 2 anos.
Mesmo assim, não pude deixar de me ver um pouco nas atitudes da relapsa deles, pois embora sendo mães, não deixamos de ser mulheres e assim como ela, eu tive a Carol muito cedo, aos 18 anos. Assim, é normal querer sair e viver um pouco as vezes, querer ter um pouco de diversão, usar alguma coisa bonita, conhecer gente nova. Assim, eu totalmente entendo ela, mas exatamente por isso a leitura me revoltou profundamente, pois sou a prova viva que com um pouco de sacrifício e jogo de cintura é possível atender ambos os lados. O mãe e o mulher.

Mas Tabitha nos mergulha em um mundo de extremo abandono e negligência desta mãe para com seus filhos. Me revoltou a forma em que ela colocou seu homem à frente de toda e qualquer necessidade dos filhos, mesmo os pequenos Tiffin de 9 anos e Willa de 5 não recebem mais que pequenas migalhas de afeto esporádicamente, o que dirá o rebelde Kit que aos 13 anos já quer se tornar um Bad Boy achando sua tribo em uma gangue.

E é claro que no meio de tanto abandono, o conforto e o apoio podem dar lugar à sentimentos tão confusos como o amor de um homem por uma mulher, sepultando assim os laços de irmão e irmã.
Não falo com ninguém a manhã inteira. Meus olhos localizam Maya no refeitório, e ela dá uma espiada na menina que está sempre ao seu lado falando pelos cotovelos, e então revira os olhos. Sorrio. Enquanto vou traçando minhas garfadas desse cozido aguado de carne com batatas, fico vendo-a fingir que presta atenção à amiga, Francie, embora não pare de lançar olhares furtivos, inventando mil caretas para me fazer rir. Sua camisa branca do uniforme vários números grande demais, está fora da saia cinza, vários centímetros curta demais. Ela está com o tênis da aula de educação física porque não sabe onde deixou os sapatos. Está sem meias , e um enorme Band-Aid, cercado por uma multidão de manchas roxas, cobre seu joelho ralado. Seus cabelos ruivos batem na cintura, longos e retos como os de Willa. Sardas pontilham suas maçãs do rosto, acentuando a palidez natural da pele. Mesmo quando ela está séria, seus olhos azul-escuros sempre têm um brilho que sugere que ela está prestes a sorrir. Durante o último ano ela passou de bonita a linda, uma beleza incomum, frágil, perturbadora. Os caras dão em cima dela o tempo todo, é um horror.
Lochan - Proibido - pág. 36
A insanidade deste sentimento que floresceu em meio ao abandono é tão perturbadora que passamos muito tempo remoendo sobre o assunto.
Tenho certeza de que se não fosse este ambiente abusivo onde Lochan e Maya tiveram que muito cedo se tornarem os pais dos irmãos, dificilmente os dois se veriam de maneira tão diferente como agora.

Eles sabem que é errado. Que a sociedade nunca iria aceitar um relacionamento incestuoso abertamente. Sabem que isto é crime e que além de irem para a cadeia, ainda estariam fadados ao descarte de seus irmãos separados em instituições para órfãos.
Mesmo assim, a dor de tentar negar este sentimento tão avassalador é muito mais excruciante e sombria do que as consequências.
Fecho os olhos e pressiono o corpo no dele, alisando a pele do seu braço com os dedos.- Nesse momento, a única coisa que eu sei é que te amo - digo em meu desespero contido, as palavras se derramando por conta própria. - Eu te amo muito mais do que como um irmão. Eu te amo... de todas as formas possíveis e imagináveis.- Eu também te amo assim... - Sua voz chocada e ferida. - É... um sentimento tão imenso que ás vezes acho que vai me engolir. É tão forte que sinto que poderia me matar. E não para de crescer, e eu não posso... não  sei o que fazer para estancá-lo. Mas... nós não podemos fazer isso... nos amar assim! - Sua voz falha.
Maya - Proibido - pág. 130
E juro que li ele com o coração aberto. Mas Proibido é um livro denso, intenso e tenso!! Levando o leitor do suspiro ao ódio. Do sorriso às lágrimas. E à depressão extrema após a leitura.

A Editora Valentina está de PARABÉNS!! O livro é lindo, com uma capa maravilhosa, diagramação e acabamento impecáveis fazem dele uma ótima aquisição para qualquer estante. Suas páginas amareladas e fonte agradável aos olhos ajudam a fluir a leitura sem cansar. 
Mas dou um aviso: Proibido não é um livro para mentes pequenas ou corações rasos.
Eu até agora ainda não consegui digeri-lo completamente. Terminei a leitura enquanto jantava na praça de alimentação de um shopping e simplesmente não consegui mais comer, saí correndo e chorando em direção a minha casa, nunca me senti assim...tão pesada...a tristeza nestas páginas é tanta que nos deixa até sem rumo em alguns momentos... junto com eles acabamos cultivando esperança e quando ela é arrancada... isso eu achei um pouco pesado de mais, embora tenha certeza que um FELIZES PARA SEMPRE nunca caberia aqui nesta trama.

Tabitha soube muito bem desenvolver a narrativa. Lochan e Maya são muito fáceis de gostar, assim como as demais crianças e acho que é este apelo que acaba fazendo o leitor até ignorar o contexto incestuoso do relacionamento deles e se concentrar apenas na história de amor.
Porém, se analisarmos cada um deles individualmente, conseguimos ver as marcas do abuso sofrido pelo abandono dos pais eclodindo em suas personalidades atualmente.

Acho que é um livro que vale a pena ser lido, mesmo despertando sentimentos tão viscerais.



9 comentários

  1. adorei a resenha parece q estava lendo o livro, parabéns, agora que fiquei mas com vontade de le-lo. muito bom.autor, resenhista, tudo perfeito.

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  2. Oii :)
    Bem, foi a primeira resenha que li do livro e achei um pouco complicado de digerir .. É uma história bem triste ao meu ver, porque querendo ou não eles "cresceram" cedo demais e isso acho que ficou meio confuso na cabeça dos dois ! A história é bem pesada, mas não tão impossível de acontecer na vida real, acho que a autora levou isso pra um lado que nos faz pensar pra caramba .. Como você disse, não dá pra ter um final feliz nessa história, e eu fiquei bem curiosa pra saber o que acontece com os dois ! Espero poder ler logo ..
    Beijos :*

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  3. Eu tenho vontade de ler esse livro, mas não sei bem se realmente irei ler. Já li algumas resenhas e como a sua também disseram que o livro é de uma carga emocional muito grande. Não sei se agora é o momento para eu fazer uma leitura tão triste, e que já sei que não terá um final feliz.

    Quem sabe mais para frente...

    Beijos,

    Gabi
    Mundo Platônico
    http://gabiiem.blogspot.com.br/

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  4. Oi Sheila!

    Quero muito ler este livro, só pelo fato de ele ter esse sentimento conflitante e deixar o leitor aturdido.... Adorei sua resenha, vc conseguiu se expressar! E isso é uma vitória, pois um livro assim deve ser difícil de se expressar!
    Parabéns!

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  5. Estou doida pra ler esse livro e cada resenha que vejo dele me deixa ainda mais ansiosa pra conferi essa história que parece despertar os mais variados e intensos sentimentos.

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  6. Oi, tudo bem?
    Eu amei a resenha, estou doidinha para ler esse livro, ele pelo visto é ótimo, a historia deve ser linda e muito emocionante, não vejo a hora de poder apreciar essa obra.
    Beijos *-*

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  7. Qnd li sobre o q se tratava este livro a minha primeira reação foi a repulsa!
    Coloquei-o na lista dos livros q eu n gostaria de ler!
    Mas agora lendo a sua resenha e os comentários me despertou uma curiosidade enorme!!
    Tentarei lê-lo tbm deixando os meus preconceitos de lado! É difícil, mas tentarei!

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  8. Achei a capa bem simples mais simplesmente adoooorei este capa !!
    Tem tudooo haver cm historia e nome!
    Falando de historia amei esta coisa de amor proibido achei de dar um apimentada na historia e deixa a gente mais ... curiosa <3

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  9. Não é meu gênero favorito, mas lendo resenhas tão inspiradoras como esta, dá muita vontade de ler e conferir por mim mesma.

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