[RESENHA] A INTRUSA - JULIA LOPES DE ALMEIDA

quinta-feira, 11 de agosto de 2016



Peso: 400 g
Largura: 14 cm
Altura: 21 cm
Profundidade: 1,7 cm
ISBN: 9788566549331
Número de páginas: 232
Idioma: português
Acabamento: Brochura
Miolo: polinizado em papel Pólen Soft 80g

Um clássico nacional à moda europeia! A história de uma jovem governanta chamada Alice Galba.

O século XIX caminhava para o fim, o Rio de Janeiro vivia o auge da cultura cosmopolita, a Belle Époque, marcada por profundas transformações culturais que se traduziam em novos modos de pensar e de viver o cotidiano. Em meio à aristocracia carioca, um rico advogado – viúvo, mas ainda jovem e atraente – era perseguido por mães casamenteiras que desejavam ter um genro abastado e influente. Porém, ele se esquivava resoluto, pois prometera à esposa, no leito de morte, manter sua viuvez. O casamento com a filha de um barão resultou em um fruto: uma garotinha mimada e sem modos, criada pelos avós maternos, cuja avó baronesa fazia-lhe todas as vontades. Infeliz pela má educação da menina, ludibriado por um escravo que usava as suas roupas, fumava os seus
charutos, bebia fartamente da adega e ainda inflacionava as contas da casa, ele decide contratar uma governanta. Desconsiderando todas as críticas feitas pelos amigos e pela sogra ciumenta, ele pede ajuda ao padre Assunção, seu amigo de infância, e publica um anúncio num jornal à procura de uma governanta. Atendendo ao anúncio, aparece Alice Galba, que aceita a estranha condição: que o patrão jamais a visse. Quando ele entrava pelo portão, ela se escondia. Dela ele apenas sentia o perfume e sua boa influência no lar e na educação da filha. Suas roupas agora estavam impecáveis, a mesa sempre bem posta e arranjada com esmero, a comida saborosa, os móveis reformados, de forma que começou a desejar ardentemente voltar para sua (agora agradável) moradia. Vez ou outra encontrava um livro aberto, esquecido sobre uma poltrona e, com o passar dos meses, passou a notar a doce presença da alma da moça pelos cômodos do casarão. Alma cujo rosto ele já ansiava ver!

Algum tempo atrás uma amiga tinha sugerido a leitura do livro, A Intrusa da autora Júlia Lopes de Almeida, pois fazia um estilo que se aproximava dos romances ingleses, naquela época achei que a autora era portuguesa, também não tinha publicação disponível no Brasil.
Uns meses depois por sugestão dessa minha amiga, a Editora Pedrazul resolveu publica-lo no Brasil. E para minha surpresa, a autora é brasileira e nascida no Rio de Janeiro, começou a carreira na imprensa aos 19 anos, numa época difícil para atuação de uma mulher, escreveu um bom tempo para o jornal carioca, O País, alguns anos depois mudou-se para Portugal, onde casou com um poeta português, Filinto de Almeida.

Realmente fico em dúvida, se nunca prestei atenção no nome da autora na minha época de escola (faz algum tempo), ou realmente ela nunca foi citada e se foi sem grandes considerações como merecia, já que ela e o marido foram uns dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, e infelizmente na época por ser mulher não pode assumir uma cadeira, mesmo sendo considerada uma das primeiras romancistas brasileiras.


A Intrusa foi publicada inicialmente em capítulos no Jornal do Commercio em 1905, e três anos depois em livro, e agora a Editora Pedrazul nos presenteia com essa edição linda um clássico da literatura brasileira.

O livro retrata a realidade social da época, desde a decadente nobreza, a posição da mulher, os negros recém libertados, o poder econômico, político e do clero.

O jovem viúvo e advogado, Argemiro Claudio de Menezes, não suporta a desorganização da sua vida, os desmandos do ex-escravo Feliciano, e a falta de educação da sua filha de 11 anos, criada pelos avós. Então decide tomar uma decisão, e mesmo tão criticado, através de um anúncio de jornal, contrata uma governanta para por em ordem a sua vida.


Alice Galba, uma jovem de excelente educação, mas atualmente empobrecida devido alguns infortúnios, aceita o cargo e as condições impostas, que além de ter total autonomia no gerenciamento da casa, e responsável pela educação da filha de Argemiro, porém não podia haver nenhum contato com seu patrão, nunca poderiam se ver, pois ele queria evitar o falatório de dividir a casa com uma mulher que mesmo sendo uma empregada teria a representatividade da dona da casa.


Mas mesmo assim, Argemiro não evitou problemas, principalmente com sua sogra que vivia o cobrando a promessa que ele fez a sua esposa no leito de morte de nunca se casar novamente.


A sogra, a Baronesa, que vivia com o marido e a neta em um sítio, eternizava a memória de sua filha, e apegou-se a neta, Glória para preencher o vazio deixado pela perda. Porém fazia todas as vontade da neta, a deixando cada dia mais voluntariosa e mimada. E ao descobrir os planos de Argemiro ficou completamente transtornada e obsessiva em afastar tanto o genro quanto a neta da nova governanta.


A influência positiva de Alice na casa provocou o acomodado do Feliciano, que antes utilizava indevidamente de certos poderes. O que gerou fofocas mentirosas de Feliciano para a Baronesa, causando ainda mais a ira da senhora em relação a Alice.


Mas quem tentava Mediar um pouca a situação, era o padre Assunção, amigo de longa data de Argemiro e também respeitado pela Baronesa. Inicialmente ele não havia concordado com a contratação da governanta, mas com o passar do tempo ele se tornou um grande defensor de Alice, pois viu uma transformação significativa no comportamento de Glória.


A orientação pedagógica de Alice transformou a menina, conduzindo Glória a uma consciência social, deixando-a mais amável e educada, e mesmo a Baronesa reparando as incríveis modificações da neta, mas por outra lado despertando o ciúmes.


Mas por motivos particulares do padre Assunção, que irá ser revelado no final do livro, não gostava os sentimentos que estavam surgindo de Argemiro em relação a governanta, mesmo que eles nunca se viam, a melhoria na qualidade de vida de Argemiro, desde a organização da casa até as mudanças visíveis da sua filha, são percebidas cada vez mais por Argemiro. E a promessa feita para sua esposa estava cada dia mais frágil e difícil de ser cumprida.


No início ele não queria vê-la, mas a curiosidade movida pelos sentimentos de conhecer melhor a pessoa que transformou a sua vida, se tornava cada vez mais irresistível.

Conclusão:
Hoje em dia estamos acostumadas nos romances atuais, que a percepção dos sentimentos se define melhor através de um contato físico, ou simplesmente de uma convivência mais presencial dos personagens, e seria estranho um casal se apaixonar sem se ver né???? Não...

Em A Intrusa é o que realmente acontece, a total ausência de convivência dos personagens, mas se apaixonam por pequenas percepções  do dia a dia de cada um.

A autora consegue passar ao leitor a progressão de sentimentos principalmente do personagem, Argemiro em relação a Alice, através de diálogos com outros personagens no decorrer da narrativa, além disso a autora consegue criar uma enorme expectativa no leitor para o encontro dos personagens, e coloca o leitor como um confidente de Argemiro, pois certos pensamentos e devido a sua promessa ele não tem coragem de confessar nem para os amigos próximos.

A Intrusa da autora Júlia Lopes de Almeida, um romance de leitura obrigatória, por ser diferente o que torna surpreendente.
 

10 comentários

  1. Agora fiquei curiosa para saber os motivos particulares do padre Assunção de não gostar dos sentimentos que estavam surgindo de Argemiro por Alice, o jeito é ler logo A Intrusa para matar essa curiosidade rsrs...
    Valeu por mais essa dica!
    Ps: Fico aqui só imaginando a cena em que o Argemiro finalmente verá a Alice.

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  2. Oi Patricia, gostei muito da indicação e de conhecer um pouco mais sobre a autora, saber que o livro foi publicado inicialmente em 1905 me deixou bem curiosa e os quotes inclusos na resenha são muito interessantes. A história parece ser sensível e realmente diferente do que estamos acostumados a ler, pois os protagonistas se apaixonam pelas sugestões um do outro, pelo que entendi já que não podem se ver. Ainda não adquiri nenhum livro desta editora, mas sei que ela tem lançado ótimos clássicos e se tiver a oportunidade vou querer conferir suas publicações, inclusive A Intrusa :)

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  3. Eu não conhecia esse livro e posso dizer que fiquei encantada, tanto pela premissa ótima como por sua resenha. Eu já quero descobrir esse segredo da governanta Alice e como essa história termina... Espero ter a oportunidade de realizar a leitura logo.

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  4. Olá, Patrícia.
    Me interessei muito pelo livro. Não conhecia a autora ainda. A edição ficou muito bonita e a história parece ser ótima. Já odeio essa Baronesa e acho que nunca vi uma história assim de se apaixonar sem ter contato. Acho que esse é o verdadeiro amor, onde se apaixona pelas atitudes um do outro.

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  5. Eu adoro romances nesse estilo e sou meio que viciada em clássicos ingleses. Mas daqui? E nesse estilo que ele parece ter? Amei! É muito interessante pra saber como era aquela época, um modo de "ver" as dificuldades, mudanças, um pouco da história mesmo. E é um livro que nem tinha conhecimento e deu vontade de ler agora que vi. Acho que seria uma baita leitura.

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  6. Gosto de romances, embora os de época não me agradem tanto, porém este livro me conquistou. Imagine se apaixonar sem ver a pessoa?! Nos dias de hoje é quase impossível, mas sei que há muito tempo atrás isto era meio comum. Fiquei curiosa para saber o por que do padre não querer a aproximação dos dois, seria pela promessa de Argemiro a sua esposa que morreu? Gostei muito da resenha e de conhecer um pouco da autora.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

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  7. Oi, Patrícia!!
    Amei a resenha. Gosto livros de época, mais é a primeira vez que vejo uma história aonde os personagens não tinha nenhum contato visual um com outro., Gostei do livro. Quero muito ler.
    Beijos

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  8. Só o fato de ser romance de época o livro já me conquista! Ainda mais quando se passa no nosso país. Amei essa coisa deles se apaixonarem sem se ver. Adorei o fato de a autora ter encaixado essa coisa tão atual em uma época como essa. Já quero!!

    Beijos!

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  9. Fico pensando se eu gostaria de uma história onde houvessem tantos desencontros. Sim, o amor é feito de pequenas coisas, mas acho que também tem de haver uma rotina, aquele conhecimento do dia a dia. Mas no geral gostei da resenha e quero ler o livro.

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  10. Oi.
    Você conseguiu me deixar curiosa para ler esse livro, gosto bastante dessa premissa e sinceramente já estou com raiva da sogra, deixa o homem viver a vida dele oxe.
    Enfim simplesmente amei, irei ler com certeza.
    Boa Tarde.

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