[RESENHA] A vida como ela era - Susan Beth Pfeffer - Bertrand Brasil

domingo, 4 de setembro de 2016


"Será que as pessoas percebem quanto a vida é preciosa? Sei que nunca percebi isso antes. Sempre havia tempo. Sempre havia um futuro.
Talvez por não saber mais se terei um futuro, fico grata pelas coisas boas que aconteceram comigo neste ano."

A vida como ela era é o primeiro volume da quadrilogia distópica Os últimos sobreviventes, de Susan Beth Pfeffer, (re)lançada no Brasil pelo selo Bertand Brasil. Diferente das distopias atuais, onde as histórias já começam mostrando como o mundo está no futuro, A vida como ela era nos insere no início da assolação da Terra.

Quem nos conta a história é Miranda, uma adolescente de 16 anos que mora com sua mãe e seu irmão mais novo Jon, além de seu gato Horton, na Pensilvânia. A vida dela não tem grandes acontecimentos, assim como a cidade pacata em que vive. Sua vida se resume a família, poucos amigos e estudos. Então, quando o anúncio de que um meteoro irá colidir com a Lua em uma quarta-feira comum de maio, a cidade ~e o mundo todo~ param para acompanhar e prestigiar o grande choque. A Lua vira o assunto do momento. Mas o que a população da Terra não sabe é que essa colisão dará início a uma nova era.

Os cientistas afirmaram que a colisão não causaria grandes impactos, somente que seria visível a olho nú. Porém, o impacto foi maior do que o esperado, e o meteoro deslocou o eixo da Lua, causando terremotos e tsunamis no mundo inteiro. Em questão de horas, um dia comemorado por todos virou um inferno, e milhares de pessoas morreram ~ e muitas cidades desapareceram embaixo d'água.

Aqueles que sobreviveram as primeiras catástrofes terão um longo e duro caminho pela frente. O clima na Terra mudou. O inverno tenebroso chegou mais cedo, a eletricidade acabou, a comida é escassa e a água congelou. Doenças estão se espalhando e as pessoas estão enfraquecendo e continuam morrendo. O céu ficou cinza e o ar é pesado. Sobreviver é o que resta para os habitantes da Terra.

Para a família de Miranda, o mais importante é aguentar um dia de cada vez. Felizmente seu irmão mais velho, Matt, conseguiu voltar para casa. E cada um deles ajuda como pode. Economizam água, cortam madeira, e comem cada vez menos, na vã esperança que alguém possa sobreviver. Mas será que os quatro irão aguentar até março do ano seguinte?







A história é contada em forma de diário, escrito por Miranda, e é dividida pelas estações do ano. As maiores preocupações da adolescente no pós deslocamento são seus familiares que ela não consegue contatar. Seu pai, sua madrasta e sua avó moram longe, e sem energia elétrica o telefone não funciona, ou seja, ela não sabe se eles estão vivos. Além disso, ela também se preocupa com sua vizinha, a Sra. Nesbitt, e suas amigas de escola. E obviamente, com aqueles que moram com ela.

Com o passar dos dias, a situação do mundo vai piorando, e suas preocupações só aumentam. Talvez a comida que eles tenham em casa não dure muito. Talvez ela nunca mais veja o sol. Talvez eles morram congelados. Mas talvez as coisas melhorem, né? E é nisso que Miranda se agarra: esperança.

Miranda é uma personagem um pouco mimada e mimizenta. Vive brigando e discordando da mãe, mesmo ela fazendo tudo pela sobrevivência da família, e tem a total convicção que seu irmão Jon é o filho favorito dela ~ e a aposta da mãe de que ele irá sobreviver. Mesmo assim, seu maior medo é que alguém de sua família morra. Mas ao longo da história, Miranda se obriga a amadurecer, e surpreende muito no final. Acho que se eu passasse por algo parecido na minha adolescência, provavelmente teria atitudes muito parecidas com a dela.

A história em si não tem um grande ápice ou acontecimento chocante, mas ele surpreende a cada estação nova. É composto por pequenos fatos e momentos de tensão para todos, e a maior expectativa é descobrir quem vai morrer e quem vai sobreviver ~ e como eles farão isso. Não é um livro de ação. É um livro sobre sobrevivência e mudanças, e posso dizer que vocês vão se surpreender com o final.

E uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a crítica da autora em relação a religião. A maioria das distopias foca no governo e na sociedade, e quase nunca falam sobre esse tema. Não vou dizer se ela defende ou não, mas ela com certeza nos faz pensar sobre o fanatismo religioso e como isso impacta a vida daqueles que os pregam. E não, esse não é o tema central da história. É apenas uma das pontas do livro.

O segundo livro da série, Os vivo e os mortos, já foi lançado aqui no Brasil, e estou mega ansiosa para saber sobre e como a história vai se desenrolar. Pelo que li na sinopse, a história vai mudar o foco para outra família, será? Bom, só sei que estou enlouquecida esperando meu exemplar chegar!

O livro é super recomendado para quem ama distopias e história de sobrevivência e catástrofes. Peguem seus binóculos, foquem na Lua e sobrevivam a essa história!



Excelente! Leia Agora!








15 comentários

  1. Oi Ellen, tenho que dizer que li muito poucas distopias com foco no fim do mundo apesar de já ter visto muitos filmes com esse tema, mas fiquei atenta a esse relançamento pois curti a capa e desde então tenho lido algumas resenhas e gostei muito da sua. O fato da personagem ter 16 anos, nos faz exercitar a paciência (mimizenta kkk), tenho certeza que esse é um daqueles livros que nos faz parar e respirar um pouco com certas atitudes da protagonista, o que me preocupa, assim como o fato da narração ser em forma de diário. Assim, ainda não tenho certeza se essa leitura é pra mim, ao menos não agora, mas tenho certeza que irá agradar a quem curte o gênero ;)

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  2. Olá!
    Adorei a sua resenha, já tinha visto este livro e confesso que a princípio não tinha me interessado pela estória, mas depois de ler sua resenha já adicionei ele a minha lista de desejados. Espero poder ler em breve e acompanhar o que aconteceu com a Miranda e a família dela.

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  3. Oi, Ellen!
    Como não curto distopias e nem história de sobrevivência e catástrofes dificilmente eu leria A vida como ela era... Mas amei as fotos, ficaram muito legais!
    Bjos.

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  4. Oi, Ellen!!
    Gostei da proposta do livro com certeza é uma distopia diferente das que eu já li. Parece ser muito interessante. Principalmente a mudança que a terra sofre e a própria protagonista que sai de uma menina mimada para alguém mais madura. Enfim gostei do livro vou procurar comprar tanto esse quando a sua continuação.
    Beijoss

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  5. Olá!
    Amei sua resenha. Estou louca para ler essa série! As capas estão lindas e as premissas me conquistaram. Adoro esse tema e gênero, então, claro que estão na minha lista de desejados. Ótima resenha, muito bem elaborada e motivadora a leitura. Beijos.

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  6. Venho vendo bastante desses livros ultimamente e deu uma vontade de ler. Porque gosto do tipo da história e ainda tem essa questão de ser um tanto diferente. Mostrar o começo de tudo já dá uma pegada legal e acho que a parte do questionamento religiosa muda um pouco o que esperar do livro e é legal por fazer pensar. Queria conferir.

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  7. Eu não conhecia esse livro, mas já fiquei com vontade de ler ele. Ele parece ser bem diferente da maioria das distopias que eu leio. Achei bem legal mostrar o início da assolação da terra. A história parece ser bem interessante, mas acho que não vou gostar muito da Miranda, por ser mimada e mimizenta. Mas já gostei de saber que a protagonista vai amadurecer durante o livro.

    Beijos!

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  8. Segunda resenha que leio desse livro só hoje e até então não fazia ideia da existência dele. Confesso que gostei bastante da premissa, e achei bem legal o fato de ser narrado em forma de diário. Na primeira resenha, tinha me identificado mais com a protagonista, mas você me fez ter um olhar diferente sobre ela. Aliás, essa história me lembrou muito a quinta onda.
    Um abraçO!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  9. Mas, gente, como assim cientistas afirmam que um meteoro colidirá com a Lua e as pessoas param, acampam, pra assistir o evento? Eu estaria morta de medo, fosse um impacto de grandes ou pequenas proporções! Eu sou muito medrosa!

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  10. Eu gosto muito de distopias, e fiquei super interessada nesse livro. Ele realmente parece ser bem diferente da maioria das distopias que vejo, e achei muito legal o livro ser em forma de diário. Fiquei curiosa para saber o que acontece de tão surpreendente em casa estação e no final.
    E também achei legal que o livro também fala de religião, acho que nunca li nenhuma distopia que também aborda religião...
    Com certeza também vou ler esse livro =D
    Bjss ^^

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  11. Já estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse, curto muito distopias e história de sobrevivência e catástrofes, agora depois de ver essa resenha fiquei ainda mais curiosa em conferi essa história que parece mesmo ser excelente.

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  12. Ainda não conhecia este livro e confesso que achei bastante interessante a proposta dele. Gosto muito de livros com esta temática, mas devo confessar que ando fugindo de séries novas até terminar as que já tenho. Mas já deixei o livro adicionado na minha lista de desejados do Skoob, espero a continuação seja tão bacana quanto ao primeiro livro.

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  13. Não curto livros em forma de diário, acho muito cansativo. A história é legal,com poucas páginas, mas desanimei.

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  14. Oi.
    Eu achei a premissa bem interessante, mas infelizmente eu não curte muito história, achei um pouco cansativa, gosto de livros que falam sobre a realidade mas infelizmente esse não me conquistou não.
    Boa Tarde.

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  15. Oi, tudo bom?
    Eu já vi algumas resenhas do livro, e ele parece ser bom, achei bem interessante que o que causa toda essa desgraça foi o fato da lua sair do lugar, e a luta pela sobrevivência, confesso que nossa protagonista não parece ser das melhores, mas creio que ela cativa.
    Beijos *-*

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