Semana Especial: Aconteceu Naquele Verão - Dia #3

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017


Uma história interessante durante o verão deve ser aquela que ao nos lembrarmos dela seja possível voltar a sentir aquele calorzinho da estação, juntamente com as memórias.


Quem já veraneou aqui no litoral norte do Rio Grande do Sul sabe que as praias não tem nada de muito especial, a água é gelada e cor de chocolate a maior parte do tempo e se o gaúcho quiser praia boa, tem que ir até Santa Catarina.
Pois eu veraneio em Quintão.

Praia pequena, que a água não é tão clara.
Praia de aposentados, mas que no forte do verão a gurizada vai e se diverte igual no centrinho.


Lembro do nosso primeiro verão em Quintão. Eu tinha 10 anos e minha irmã tinha 6.
Meus pais mega felizes que tinham com muito sacrifício comprado um terreno na praia e agora eramos "finos" e tínhamos onde veranear.

Nosso primeiro verão a nossa casa era a única na rua semi aberta e ainda sem nem postes de luz. Era apenas 2 peças de madeira com um banheiro. E como falei antes, não tinha chegado a luz elétrica ainda.
Puxávamos água do poço com bomba manual...ótimo exercício para fortalecer os braços e deixávamos esquentando ao sol, para o banho pós mar no final do dia.



Não tinha mais uma viva alma a quarteirões de distância. Eu e minha irmã éramos as únicas crianças, chorosas e entediadas por estarmos sozinhas na praia no verão com minha mãe e minha avó (pois meu pai havia ficado trabalhando). A noite a luz era de lampião a gás, e a pouca distração através do radio de pilha.

Mas durante o dia mesmo que aos trancos e barrancos, tínhamos a praia, as dunas, uma bola e minha avó e minha mãe jogando vôlei conosco durante as tardes para nos distrair do tédio e nos lembrar de que era verão, estávamos na praia e mesmo que com muita dificuldade, tínhamos uma casa de praia e havia sim, muita brincadeira para nós.

No próximo verão, já tínhamos luz elétrica e vizinhos. Crianças da nossa idade para passar as tardes na praia jogando e depois brincando de pega-pega, bola, jogando pife, dorminhoco ou detetive.
Crianças que crescemos juntos a cada verão e na adolescência, formamos a turma pra ir ao centrinho dançar no chafariz.


A galera que um dos nossos pais levava de carro até o centro (pois continuávamos morando relativamente longe do Assum) e depois voltávamos de galera caminhando pela beira da praia.
Hoje a galera se dispersou.
Fizemos faculdade.
Muitos pais já não estão mais aqui.
Alguns venderam suas casas e foram veranear em praias melhores.
Alguns de nós casamos e tivemos filhos, outros não.
Alguns voltaram de vez em quando ao longo dos verões, outros nunca mais deram as caras em Quintão.

Mas, os meus pais ainda tem casa lá.
E eu ainda vou para Quintão pelo menos 1 ou 2 finais de semanas a cada ano, quando o meu trabalho permite.
Vou para sentar na sombra e tomar uma cerveja.
Para olhar o mar e curtir a algazarra das crianças nas ondas.
Vou para olhar minhas filhas crescendo, mas brincando ainda no mesmo parque do centro e comendo o mesmo crepe da tia que adoramos ao lado do mercado Assum.

Vou porque embora eu quase não tenha mais tempo para frequentar a praia, ainda é um lugar ótimo para descansar e principalmente criar novas memórias com as pessoas que amamos a cada novo verão.
Mesmo sendo em Quintão.


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