[RESENHA] NINFEIAS NEGRAS - MICHEL BUSSI

sábado, 21 de outubro de 2017




LANÇAMENTO: 09/01/2017
TÍTULO ORIGINAL: NYMPHÉAS NOIRS
TRADUÇÃO: FERNANDA ABREU
FORMATO: 16 X 23 CM 
NÚMERO DE PÁGINAS: 352 PÁGINAS
PESO: 0.47 KG
ACABAMENTO: BROCHURA
ISBN: 9788580416329
EAN: 9788580416329
HOTSITE DO LIVRO: http://ninfeiasnegras.com.br

“Uma obra-prima deslumbrante, inesperada e assombrosa.” – Daily Mail
Vencedor de cinco prêmios literários, Ninfeias negras foi o romance policial mais premiado da França em seu lançamento.

Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho.

É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte – principalmente as protagonistas.

Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.


"Uma vez, no entanto, as grades de Giverny se abriram para elas! Para elas apenas, como acreditavam. Mas a regra era cruel: somente uma poderia escapar. As outras duas precisavam morrer. “Um livro hipnotizante, que me prendeu completamente à medida que Bussi, de maneira inteligente, foi quebrando todas as regras de construção de enredo, numa história repleta de enigmas dentro de enigmas. ” – Daily Express

“Bussi representou de forma fascinante as dificuldades que as investigações em comunidades fechadas apresentam, e o livro termina com um dos maiores choques das histórias modernas de crime.” – Sunday Times

Terminei de ler o livro ontem... e o meu queixo ainda não voltou para o lugar, ou melhor perdi ele... se alguém encontrar um caído por aí... ele é meu! 

Considero-me uma leitora voraz, leio de tudo um pouco, tem semanas que chego a ler três gêneros diferentes, e quase sempre faço isso propositalmente, óbvio que tenho o meu preferido, mas mesmo assim gosto de diversificar, porque mesmo o preferido pode saturar numa leitura constante

O gênero policial é um dos que gostode ler, e de todos os estilos de policiais, mas tenho uma predileção para o investigativo, que vai desvendando através de pistas ou situações o motivo ou quem cometeu o assassinato ou os assassinatos. Confesso que Ninféias Negras do autor francês, Michel Bussi, inicialmente o que chamou minha atenção na sinopse, foi essa relação com o pintor Claude Monet, não que sou entendida em artes, mas curtos alguns pintores, principalmente os impressionistas (Degas, Renoir, são uns dos exemplos), incluindo Monet. 

Mas nada me preparou para o que li nas páginas deste livro, até agora não sei se posso chamar de revelação, ou descoberta ou reviravolta o que aconteceu na segunda metade para o final do sensacional Ninfeias Negras. A seguir a impressão de uma leitora ainda meio tonta com leitura, e que tentará transmitir um pouco do que ocorre no livro nesta resenha.

O livro já começa te colocando um pulguedo (coletivo de pulgas, foi o Google que disse) atrás da orelha, ele descreve três mulheres que moram no vilarejo de Giverny, cada uma com características controversas, e que faz o leitor colocá-las como potenciais suspeitas do assassinato que será descrito a seguir.

“Num vilarejo, viviam três mulheres. A primeira era má; a segunda, mentirosa; a terceira, egoísta.
(...)
As três tampouco tinham a mesma idade. A primeira tinha mais de 80 anos e era viúva. Ou quase. A segunda tinha 36 e nunca havia traído o marido. Ainda. A terceira estava prestes a completar 11 anos e todos os meninos de sua escola queriam ser seu namorado. A primeira só usava preto, a segunda se maquiava para o amante, a terceira enfeitava os cabelos para que voassem ao vento.”

Toda a narrativa ocorre no vilarejo de Giverny, um lugar verídico, próximo a Paris, e onde o pintor Claude Monet, viveu os últimos anos de sua vida, e também foi sua grande fonte de inspiração para variados quadros, principalmente um dos mais famosos dele, Ninféias. Que na realidade é uma série de 250 pinturas a óleo (fiz uma pesquisa básica, e também adquiri um livro sobre o pintor, sim sou doida). 

E nesse lago onde estão as Ninféias de Monet que encontra o corpo da vítima, o médico oftalmologista, Jérôme Morval, com uma facada no peito, crânio esmagado e com a cabeça dentro deste lago. E junto ao corpo um cartão postal, com a imagem das Ninféias de Monet, uma citação e também uma frase felicitando pelo aniversário, mas não da vítima.  
“Vocês já entenderam. As três eram bem diferentes. Tinham, porém, um ponto em comum, um segredo, de certa forma: todas elas sonhavam em ir embora. Sim, ir embora de Giverny (...).”

Os investigadores Laurenç Sérénac e Sylvio Bénavides, juntamente com o leitor, além de enfrentarem uma comunidade silenciosa,  que as pessoas do vilarejo protegem a cidade como se qualquer alteração na estrutura da cidade fosse a mesma coisa que estragar uma obra de Monet, já que várias pontos da cidade são realmente imagens que estão em suas pintura. Além disso, quaisquer pistas que se dissolvem como tinta na água, mesmo descobrindo várias peças contundentes, outras aparecem desqualificando as anteriores.

Laurenç e Sylvio partem de três pistas: crime passional, já que o médico possuía amantes, e alguma poderia ter um marido ciumento, ou a esposa de Morval. A segunda pista poderia ser o acervo de Morval, um determinado quadro das Ninfeias Negras que ele cobiçava, poderia haver alguma venda ilegal, ou até o acervo do próprio médico poderia ser chamariz para alguém se interessar, ou algum outro segredo envolvendo os quadros de Monet, e a terceira pista seria uma criança, já que o bilhete se referia ao aniversário de 11 anos de alguém, poderia ser uma filha ilegítima. Mas todas essas pistas durante o decorrer do livro levaram os investigadores e o leitor em várias direções, e o instigante disso que tudo faz referência a vida e obra de Monet.

“O crime de sonhar eu consinto que seja instaurado.
Se eu sonho, é com aquilo que me proíbem.
Vou me declarar culpado. Gosto de estar errado.
Aos olhos da razão o sonho é um bandido.”

Em relação ao quadro citado e que leva o título do livro, o autor se baseou numa lenda em relação ao pintor. Claude Monet, nunca utilizou a cor preta em suas obras, porém contam que no final da vida quando a catarata quase o cegou, ele pintou um quadro com ninfeias negras, isso nunca foi comprovado ou encontrado.

Nesse meio tempo, Laurenç se apaixona por uma moradora local, o que pode atrapalhar nas suas decisões no decorrer da investigação, ao mesmo tempo outro investigador, um delegado veterano contratado pela esposa de Morval começa outra contra investigação, o que colocará o leitor com novas informações para serem assimiladas.

“(...) sempre que subo ao primeiro andar do Museu de Vernon, paro em frente a O Beijo.
É claro que não estou me referindo àquele abraço cheio de paetês de Klimt, aquela espécie de cartaz de perfume inebriante. Não. Estou me referindo a O Beijo, de Steinlen.
Trata-se de um simples esboço a carvão, apenas alguns traços: um homem, de costas, vestido com uma roupa justa, músculos salientes, estreita contra o peito de uma mulher completamente entregue. Ela está na ponta dos pés e tem o rosto virado e encostado no ombro dele; seu braço tímido não se atreve a enlaçar a cintura grossa.
Ele a quer. Ela se entrega, incapaz de resistir.
Os amantes se mostram indiferente às sombras que se agigantam ao fundo, como um sem-fim de ameaças.”

Outro detalhe que a narrativa acontece durante 13 dias, conta-se o dia do primeiro assassinato e o último dia quem sabe acontecerá mais um, mas os investigadores não sabem disso, apenas o leitor, e talvez uma narradora que é uma das três mulheres citadas no inicio da resenha.

“Três mulheres vivendo num vilarejo.
A terceira era a mais talentosa; a segunda, a mais esperta; a primeira, a mais determinada.
Na sua opinião, qual delas conseguiu escapar?”

O final deste livro é espetacular, sinceramente não pode ser caracterizado como um simples policial, ele é muito mais... instigante, perturbador, impactante e acima de tudo viciante. A narrativa tem momentos mais vagarosos, e outros mais intensos. Um livro ao mesmo tempo para degustar devido as informações verídicas em relação a Monet ou a linha de investigação construída pelos investigadores, e as vezes uma leitura rápida que você não irá conseguir parar de virar as páginas.

Porém no final do livro entendi acho que entendi o que o autor quis mostrar, e tem tudo relacionado à Arte Impressionista:

“O impressionismo é sobre traduzir um objeto real através do olhar diferenciado, onde posteriormente essa forma de olhar se torna uma construção sobre o objeto real.”

E realmente é o que a narrativa de Ninfeias Negras do autor transmite para o leitor, o diferente olhar do real, e sua construção. Tentei definir o livro para um grupo de amigo no whats: “Tudo que você suspeita que é,  talvez não seja. O que pode não ser, talvez seja. E o que você desconfia, pode não ter nenhuma relação. E o que você nem desconfia, com certeza que é. E esquece tudo que escrevi, não tem relevância nenhuma.” Você entende o espantoso final, mas até as últimas páginas você não imagina o que te espera.
Indico o livro para todos os leitores que curtem um excelente e elaborada trama.

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