[RESENHA] O Pior dos Crimes - A História do Assassinato De Isabella Nardoni

quinta-feira, 26 de abril de 2018

O Pior dos Crimes 
A História do Assassinato De Isabella Nardoni
Autor: Rogério Pagnan
Editora: Record
I.S.B.N.: 9788501112972
Páginas: 336
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Sinopse: A história completa do assassinato que chocou o Brasil Construído em ritmo de thriller, O pior dos crimes esmiúça o trágico caso que conseguiu estarrecer a opinião pública de um país rotineiramente violento. Em 29 de março de 2008, Isabella, de 5 anos, foi atirada ainda com vida pela janela do sexto andar do apartamento do pai, Alexandre Nardoni, e da madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte da capital paulista, e morreu pouco depois de chegar ao hospital. O que se seguiu foi uma investigação e um processo repletos de pistas mal perseguidas, depoimentos de suspeitos com “pegadinhas”, uso de informações falsas, pressões indevidas para a obtenção de confissões, perícias criminais deficientes e um Ministério Público empolgado com os holofotes. Se o caso Nardoni representou ou não um erro judicial, se houve elementos suficientes para uma condenação “acima de qualquer dúvida razoável”, o leitor será capaz de dizer a partir da leitura deste instigante livro-reportagem.


Oi gente, a Resenha de hoje é pelo nosso novo colaborador Bruno Bastos. Confira o que ele achou desta leitura e deixem seus comentários.
No último mês de Março completou 10 anos do crime que mais abalou o nosso país nesse século, o assassinato de Isabella Nardoni, uma menina de apenas 4 anos, e os condenados pelo crime? A madrasta, Anna Carolina Jatobá, e o próprio pai da menina, Alexandre Nardoni.

A teoria da acusação foi de que depois de uma briga entre o casal, por ciúmes da mãe da menina, Ana Carolina Oliveira, uma série de agressões ocorreram, fazendo-os acreditar que ela tinha falecido, então Alexandre chegou no apartamento em que morava com a esposa e seus outros 2 filhos, frutos do segundo relacionamento, e após cortar a tela de proteção da janela, ATIROU A PRÓPRIA FILHA DO SEXTO ANDAR, provocando a morte dela em poucos instantes.

Naquela noite Nardoni e Jatobá alarmaram o prédio inteiro e a redondeza dizendo que um homem, que eles não viram, teria entrado no prédio, invadido o apartamento deles, sem arromba-lo, pego Isabella, que estava sozinha pois seu pai tinha voltado a garagem para pegar a esposa e os outros filhos no carro, e atirado a filha a sangue frio pela janela.

O homem não foi visto por ninguém, o prédio tinha poucas câmeras, nenhuma em algum ponto que filmasse qualquer uma das ações ou até mesmo a queda de Isabella, em poucos dias o casal já tinha se tornado os principais suspeitos, com pedido de prisão decretado, rapidamente estavam na cadeia.

2 anos depois, em 22 de Março de 2010, o casal era julgado e condenado a mais de 25 anos de prisão pela morte de uma menina que sem dúvida jamais fez mal a alguém.

Mas e se a história deles fosse verdade? Se o homem realmente tivesse entrado no apartamento apenas com o pretexto de matar alguém inocente? Nada nunca foi 100% comprovado contra o casal, já que não existe uma imagem mostrando Alexandre atirando a filha, mas os indícios foram implacáveis com eles e ambos estão marcados para sempre como os responsáveis pelo crime mais brutal do século.

Nessa resenha não vou dar minha opinião sobre o caso e as circunstancias, já que ela é a favor da justiça que já foi feita e o que este livro propõe é que enxerguemos o outro lado, e foi isso que eu tentei fazer quando li ele. E se hoje aparecesse o tal homem e assumisse o assassinato, ou se algum civil tivesse fotografando o luar naquela noite e tivesse em suas mão a foto de outra pessoa segurando Isabella na janela naquele dia? Que estrago, não?

Rogério Pagnan faz um trabalho de pesquisa, entrevistando pessoas ligadas aos condenados, que garantem que eles jamais seriam capazes de algo tão brutal. Ele tenta tirar a credibilidade de tudo que foi feito durante o processo, desde a maneira como as investigações foram conduzidas pelos peritos e policiais, passando pela postura do ministério público, pela fragilidade e incompetência dos advogados de defesa, e acabando com opiniões bem controversas sobre o promotor e o juiz presentes no julgamento.

Quando vejo um caso impactante como esse sempre procuro pensar no outro lado, como por exemplo o assassinato de Eliza Samúdio, do qual o goleiro do clube mais popular do Brasil foi condenado por comete-lo, ou então o assassinato dos pais de Suzane Von Richthofen, essa rá confessa do crime. No caso do goleiro Bruno e de Isabella, ninguém admitiu o crime, e mais que isso, até hoje o casal mantem a mesma versão dos fatos, mesmo que sejam absurdos.

O fato de contarem a mesma história até hoje e de um não tentar culpar o outro pelo crime visando se salvarem da cadeia é muito intrigante, seria prova de inocência ou do amor doentio de um pelo outro, o mesmo amor que teria provocado esse crime bárbaro.

Acho muito legal ter a visão do outro lado do crime, a visão de quem jura não ter nada haver com o crime, e é isso que o livro passa. Ele conta pouco sobre o crime em si, logo na primeira parte do livro, depois faz uma longa descrição da vida de Anna Carolina e Alexandre, desde suas origens até o encontro dos dois e o possível caso deles durante o final do casamento de Alexandre com Ana Oliveira. Após isso começa a diluir sua opinião sobre o andamento do caso, se utilizando de publicações em jornais, revistas e televisão e com pouquíssimas coisas retiradas do processo ele tenta criar possibilidades que colocariam a condenação do casal em xeque.

O livro é muito bem escrito, bem dividido, com informações detalhadas sobre as partes que o escritor achou necessárias serem descritas, porém não me convenceu, faltam fatos que provem o que ele garante ser verdade no seu livro, faltam documentos, e até sobram coisas que o desmentem, algumas informações passadas são muito falhas, como por exemplo o momento em que ele diz que a mãe de Isabella só quis se promover, e que se promoveria até hoje em dia, em cima da morte da filha, já que o caso foi amplamente divulgado e ela deu diversas entrevistas à canais de televisão, porém ele se quer entrevistou alguém próximo a ela para que esse “sentimento” da parte de Ana Carolina fosse comprovado, é apenas achismo da parte dele.

Todo o teor do livro é achismo, nada que ele apresenta é fato, não existe sequer 1 anexo ao livro de uma perícia refeita e que mostraria que os peritos que investigaram o caso estavam errados, apenas a opinião dele de que os peritos tiveram má fé, de que a imprensa provocou a condenação. Muitas das opiniões que constam no livro poderiam até mesmo fazer o caso ser reaberto, se ele tivesse prova do que diz é claro, mas não tem, ou pelo menos não as mostra no livro.

O Pior dos Crimes é um livro que tenta ser impactante mas não consegue, e não digo ou cobro isso do livro somente por não concordar, mas por já ter lido algo sobre o caso que seja 1000000000 de vezes melhor, é o caso do livro A Prova é a Testemunha, da maravilhosa, Ilana Casoy, o livro esmiúça o caso, a investigação, o julgamento e a condenação, esse sim com muitos dados dos autos, estudo da perícia, anotações da escritora sobre o julgamento, uma verdadeira obra prima.

O Pior dos Crimes faz voltar a tona o maior crime brasileiro do século XXI, o que na minha opinião é super necessário para que ele não volte a ocorrer, mesmo que ocorra todos os dias algo parecido no Brasil e não seja noticiado, este felizmente foi, devido à mídia que ganhou conseguiu ser solucionado, Rogério propõe uma reflexão muito válida, todo mundo precisa de uma defesa e em um caso onde todos só bateram no casal ele teve a hombridade de ser o único a dar a eles a hipótese da dúvida, porém a maneira como escolheu para defende-los, na minha opinião apenas os condenou mais. Eu esperava mais imparcialidade dele no livro, em uma obra onde você quer fazer as pessoas refletirem sobre o julgamento delas você não pode atacar quem o culpou, deixa de ser defesa e passa a parecer vingança, a credibilidade se perde. Outro fato que me fez ficar desgostoso com a obra é ele não apresentar nenhuma novidade, nada bombástico, seu argumento é apenas a incompetência ou a má fé de todos os personagens envolvidos na prisão de Alexandre e Anna Carolina.

Acho um livro válido para quem quer saber o outro lado do crime, um pouco mais sobre a vida dos condenados, sobre a investigação, e até mesmo sobre o caso em si, eu mesmo sou uma pessoa que adoro ver informações adicionais sobre grandes crimes e tragédias, mas “O Pior dos Crimes” me irritou, decepcionou e me fez só ter mais certeza de que a justiça foi feita e Isabella não precisava ser perturbada com essa publicação. 


2 comentários

  1. Entre no face do sr. Antonio Nardoni, lá você encontrar um série de documentos que comprovam o que disse o autor do livro. Fora isso, você tb pode pedir para um advogado tirar cópia do processo, ele é público.

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  2. Concordo plenamente com a resenha, li o livro e fiquei com uma sensação de "foi encomendado pela família Nardoni", porque se formos ignorar todas as provas e colocarmos só a questão "tempo" já haveria uma condenação do casal tendo em vista que o tempo que o pai alega ter decido ao carro e seu retorno foi mínimo, então uma pessoa entrar no apartamento sem arrombar, machucar uma criança, procurar uma tesoura/faca, cortar a rede e jogar a criança pela janela, sejamos francos, não dá para eles não serem os culpados.

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