[RESENHA] O Homem de Giz - C. J. Tudor - @intrinseca

domingo, 27 de maio de 2018

O HOMEM DE GIZ
Autor: C.J. Tudor
Editora Intrínseca
I.S.B.N.: 9788551002933
Páginas: 272
Compre: SARAIVA - AMAZON

Sinopse:  Assassinato e sinais misteriosos em uma trama para fãs de Stranger Things e Stephen King
Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.
Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás.
Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.



Oi gente, a Resenha de hoje é pelo nosso novo colaborador Bruno Bastos. Confira o que ele achou desta leitura e deixem seus comentários.

O ano é 1986, Ed é um garoto que recém está entrando na adolescência, junto com outras 4 crianças forma um grupo inseparável. Como bons amigos dos anos 80 eles se aventuram juntos por diversos fatos estranhos que vão acontecendo em uma cidade do interior da Inglaterra.

Tudo começa em um dia normal, Eddie e seu grupo estão no parque da cidade, todos vão a um brinquedo, mas Ed sente algo lhe chamando distante dali, uma carteira, ele precisa pega-la, ele gosta muito de pegar coisas dos outros, o desafio, a adrenalina, isso move ele, mas uma parte do brinquedo twister se solta e uma garota é catapultada para fora dele, parando bem ao lado de Ed, que estava pronto para fugir, não iria ajuda-la, ele estava fazendo algo errado, mas alguém o viu, era o novo professor da cidade, ele passa a responsabilidade para o garoto e Ed se sente obrigado a socorre-la, atendendo a menina ensanguentada enquanto os paramédicos não chegam ao local, com a ajuda do novo professor a garota sobrevive, cheia de cicatrizes na vida e na alma, mas ela continua viva, mas não por muito tempo.

Esse é o início de “O Homem de Giz”, aterrorizante e cheio de significados. A escritora dá um salto de 30 anos na história, mostrando os acontecimentos de 2016, com o mesmo grupo, a mesma cidade, mas com personalidades diferentes e com um assunto ainda bem mal resolvido.

O livro intercala o passado e o presente, capítulos de Ed narrando a história atual, no ano de 2016, e relembrando o passado e as histórias mal contadas da década de 80, em 1986.

Fica muito claro durante toda narrativa a mudança nas personalidades dos personagens, principalmente na de Ed, que sai de um garoto malandro e inexperiente para um adulto ranzinza, professor e que reclama de muitas coisas que seriam banais para pessoas comuns.

A estrutura de narração do livro é das minha preferidas para a literatura, o personagem principal narra a história, em um capítulo, nos dias atuais, ele vai vivendo coisas novas, descobrindo pistas e pessoas, em outro, o que se passa nos anos 80, ele vai relembrando o passado, fazendo releituras de suas memórias, tentando interpretar de maneira diferente suas lembranças ao mesmo tempo que vai situando o leitor de tudo aquilo que aconteceu. A escritora gosta de mistério e o livro, sempre que apresenta alguma descoberta importante pro caso, acaba terminando o capítulo, abordando outra história que corrobore para aquela descoberta, porém somente 2 capítulos depois você irá descobrir o que fora descoberto e no que aquele novo fato irá se desenrolará, já que no capítulo seguinte ela volta para o passado ou avança para o futuro.

Os desenhos de giz tem uma representatividade importante para a história, sempre aparecem anunciando alguma morte, e é por indicação deles que os garotos encontram um corpo mutilado no meio do bosque da cidade, que faz a vida de cada um deles mudar completamente.

O Homem de Giz é um livro intenso, cheio de mortes e que nada do que apresenta foge da história principal, não existe nenhuma página que não tenha importância para a história central.

Da mesma maneira como a escritora cria mistérios o tempo todo ela os resolve, desde o mais simples até o mais complexo e todos tem uma belíssima explicação, descoberta de uma maneira muito crível e que fecha muito bem a história toda, sem nada mirabolante ou irreal.

E não são só os mistérios da história que são bem descritos, todas cenas tem uma ambientação muito cuidadosa, falando sobre a expressão dos personagens e sobre objetos presentes, que são importantes para o tema central e uma coisa que eu valorizo demais nos livros, as cenas são coerentes, as coisas que acontecem na infância com o grupo de crianças tem resultados que são compatíveis com expressões que crianças teriam naquele momento, nenhuma delas vai pega um revólver e ir para cima do assassino ou pensar em passar a noite caçando algum criminoso, assim como os fatos que acontecem na vida adulta deles tem resultados completamente diferentes do que os que teriam na infância. Isso parece uma coisa banal, mas infelizmente a maioria dos livros de ação que se arriscam a intercalar essas duas fases da vida de um personagem acabam fazendo crianças super poderosas ou adultos extremamente frágeis.

É claro que o livro, por se tratar de uma história envolvendo grupo de crianças e algum mistério assustador passa a impressão de lembrar “It” de Stephen King e Stranger Things, mas é uma lembrança apenas, existem poucas semelhanças e a história principal é bem diferente nos três casos, porém é mais uma história que envolve adultos tentando superar seus traumas de infância e que mais uma vez dá muito certo, parece que esse tema acaba desenvolvendo bons roteiros e histórias gostosas.

Este acabou virando minha leitura favorita do ano, a leitura anterior era “Deixada Para Trás” segundo livro do escritor Charlie Donlea. Este é o primeiro livro escrito por C. J. Tudor, uma inglesa de Salisbury. Parece que novos escritores estão chegando com tudo ou as editoras tem exigido trabalhos melhores para lançar novos autores. Fico extremamente ansioso para ler novas coisas de Tudor, a expectativa está lá no alto, será que ela pode surpreender ainda mais? Será que os demais trabalhos irão manter o nível de “O Homem de Giz”? E você, gostou de “O Homem de Giz”?

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