[RESENHA] Menina Boa, Menina Má - Ali Land - Editora Record

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Menina Boa Menina Má
Autor(a): Ali Land
Editora: Record
I.S.B.N.: 9788501109552
Páginas: 378

Os corações das crianças pequenas são órgãos delicados. Um começo cruel neste mundo pode moldá-los de maneiras estranhas

Nome novo. Família nova. Eu. Nova. Em folha.
A mãe de Annie é uma assassina em série. Um dia, Annie a denuncia para a polícia e ela é presa. Mas longe dos olhos não é longe da cabeça. Os segredos de seu passado não a deixam dormir, mesmo Annie fazendo parte agora de uma nova família e atendendo por um novo nome — Milly.
Enquanto um grupo de especialistas prepara Milly para enfrentar a mãe no tribunal, ela precisa confrontar seu passado. E recomeçar. Com certeza, a partir de agora vai poder ser quem quiser...
Mas a mãe de Milly é uma assassina em série.
E quem sai aos seus não degenera...

Excelente!

Annie é uma menina que durante toda sua infância viu coisas horríveis acontecerem em sua casa, até um dia que resolveu que não queria mais conviver com aquelas barbáries, resolveu abdicar de toda sua vida, se afastando da sua mãe e do seu passado.

Agora ela tem uma família nova, em uma cidade nova, com um colégio novo e até nome diferente, a partir daquele dia ela se chama Milly, precisa se habituar às novas colegas, ao bullyng que sofre, a conviver com gente que não a quer naquele lugar, além de se preparar para depor, acusando a própria mãe de ter assassinado, com requintes de crueldade, 9 crianças, que ela roubava das mães.

A mãe de Annie, ou Milly, tinha um quarto aonde deixava as crianças enquanto as abusava antes de mata-las, o chamava de Playground. A menina agora é obrigada pela justiça a falar na frente de sua genitora o que ela praticava dentro do lugar e a obrigava a assistir, olhando por um buraco na parede.

O livro tem um andamento complicado no começo, é narrado em primeira pessoa por Milly, na maioria do tempo ela estava relatando as coisas que vê, pelas quais ela passa e do que sente saudade, como se conversasse com sua mãe, a fluidez da leitura fica bem prejudicada durante quase todo o livro, mas no começo é bem lento para ler, porém depois fica mais interessante e leve, o livro pega o leitor com força e torna difícil parar de lê-lo.
O livro trata todas as ações como mistério, vai revelando as coisas da trama bem lentamente e até a última página existem revelações feitas, literalmente. O que deixa o desenvolvimento dele bem lento, mas a leitura mesmo assim vale a pena.

Milly é uma personagem incrível, você não sabe o quão boa ou má ela é, não sabe até onde ela é inocente ou uma das principais culpadas por tudo que está acontecendo, ela sabe ser uma menina carente que necessita de carinho, atenção e ajuda, mas também consegue ser vingativa, elaborar coisas horríveis para quem ela odeia e se vingar de quem lhe fez mal como ninguém.

Mike é gestor de um abrigo para menores, e enquanto estão preparando Milly para seu testemunho contra a própria mãe, resolve leva-la para sua casa e conviver com sua mulher e filha. A menina odeia a ideia, está acostumada a ver o pai abrigando crianças sem teto e em seguida se livrando delas, mandando-as para outras famílias, ela trata mal Milly, junto com suas amigas fazem da vida da garota um inferno, e não é só Milly que precisa lidar com isso.

O enredo do livro é surpreendente, seus mistérios são muito intrigantes, o leitor precisa manter-se o tempo todo atento ao que está acontecendo, não consegue desgrudar do livro em nenhum momento. Todas histórias tem seu porque, e uma explicação completamente plausível, todas dúvidas abertas são explicadas durante o desenvolvimento da obra.

Assim como o suspense constante, os problemas psicológicos da narradora também são constantes e explicitamente expostos, o leitor sofre junto com Milly, sente medo, chora, tem raiva que quem a machuca e torce pelas relações que ela vai criando na sua nova vida.

A parte do julgamento também é muito bem explicada, detalhada e não deixa nenhuma falha, assim como em todo o livro, não existe nenhuma parte mal explicada ou com falhas, é extremamente épico, principalmente pela sensação criada de não saber quais são os personagens do bem e qual são os do mal.

Outra coisa que atrai bastante na leitura é o fato de você não saber realmente qual a capacidade de maldade que existe na personagem principal ou o que realmente foi feito por ela e se ela está contando toda a verdade.

Um livro magnífico, assustador, com muitas reflexões sobre a humanidade, sobre bondade e até onde vai a capacidade do ser humano de fazer mal, o enredo é um pouco arrastado, prejudica um pouco o livro, em alguns momentos tive que larga-lo para me animar a pegar horas depois, isso acontece pela maneira escolhida para a narração, porém depois da metade do livro e flui mais, existem mais diálogos reais, mais conversas abertas e ele fica bem mais rápido e desenvolvido.

Quem gosta de suspense, que é o que não falta nesse livro, histórias chocantes, cenas aterrorizantes e uma personagem feminina extremamente forte, não pode deixar de conhecer “Menina Boa, Menina Má” e decidir pessoalmente em que lado do titulo Milly deve estar.

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