[RESENHA] OS PORTAIS DA CASA DOS MORTOS (O LIVRO MALAZANO DOS CAÍDOS #2) - STEVEN ERIKSON

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019


Título original: Deadhouse Gates
Tradução: Carol Chiovatto
Formato: 16 x 23 cm
Número de Páginas: 816
Peso: 1.02 kg
Acabamento: brochura
ISBN: 9788580418361
EAN: 9788580418361
Leia um trecho: https://goo.gl/qUBD4i
Onde comprar: https://goo.gl/HvBQ4E

Sinopse: “A melhor série de fantasia dos últimos tempos.” – Fantasy Book Review
“Raro é o autor que combina com tanta fluidez um senso de poder mítico e a profundidade de um mundo com personagens bem construídos e ação emocionante, mas Steven Erikson faz isso de modo espetacular.” – Michael A. Stackpole, autor de Star Wars: Esquadrão Rogue e World of Warcraft: Sombras da Horda
Já se passaram dez anos desde que Laseen tomou o trono com um ardil traiçoeiro, mas, à medida que o Ano de Dryjhna se aproxima, o Império Malazano se vê à beira da anarquia, enfraquecido pelos acontecimentos na cidade de Darujhistan. Muitas das regiões controladas pelo punho de ferro da imperatriz ameaçam acender a fagulha da revolução.
No meio do vasto domínio das Sete Cidades fica o Deserto Sagrado Raraku, onde estão os resquícios de incontáveis civilizações extintas há muito tempo. Nesse lugar repleto de segredos e magia, a Vidente Sha’ik e os seguidores do Apocalipse preparam um levante contra o poderoso império, conforme previsto nas antigas profecias.
Enquanto as forças convergem contra Laseen, ela reúne um exército de assassinos, feiticeiros e espiões para combater a rebelião e ampliar seu império cruel. Em meio a uma fúria e um poder jamais vistos, o mundo está prestes a mergulhar em uma guerra sangrenta, capaz de mudar os destinos de homens e civilizações, criando lendas que atravessarão os séculos.


Em 2017 mediei o encontro de Literatura Fantástica da Editora Arqueiro, teria que apresentar três livros, um deles era Jardim da Lua, primeiro livro da série O Livro Malazano dos Caídos, confesso que foi o último livro que li dos três. Primeiro porque a capa não me atraia e me remetia um estilo do gênero que talvez não apreciasse muito, além de bastante volumoso e uma quantidade considerável de personagens, tanto que veio um pôster com a capa do livro e no outro lado preenchido com imagens e nomes dos personagens do livro (imagem abaixo). Porém Steven Erikson e seu complexo mundo fantástico me conquistou completamente.


Posso dizer que o autor me instigou ainda mais a leitura devido o prefácio escrito por ele em Jardins da Lua, um dos trechos que destaco e representa realmente o sentimento do leitor no início da leitura:

“(...) Ao lerem Jardins da Lua, as pessoas vão odiar ou amar meu trabalho. Não há meio-termo. É claro que eu preferia que todo mundo amasse, mas entendo que jamais será assim. Os livros desta série não são para leitores preguiçosos. Não é possível apenas passar por eles. Para piorar, o primeiro romance começa no meio do que parece uma maratona: ou você entra correndo e consegue se manter em pé, ou então fica para trás.”

Realmente foi assim que me senti, mas eu lia o livro, menos eu conseguia entender como chegou naquela situação, mas no decorrer da narrativa eles explica muito superficialmente algumas coisas, e essa pouco informação não é completamente proposital e uma característica do autor que irá de encontro com outro trecho do prefácio do primeiro livro:

“(...) Não sou e  nunca serei um escritor que se contenta com uma narrativa cuja única função é informar o leitor sobre o contexto, história ou qualquer outra coisa. Se ela tiver múltiplas funções – quero dizer múltiplas mesmo -, não fico satisfeito.”

E isso é uma característica da série, e o segundo livro, Os Portais da Casa dos Mortos não muda muito, talvez por ter lido o primeiro livro e ter se acostumado com o estilo, a leitura se torna um pouco tranquila, porém não deixa de ser complexa. E talvez por isso, tive mais coragem de resenhar o segundo livro do que o primeiro. São muitos acontecimentos e personagens para criar uma harmonia e repassar na resenha.

A trama de Os Portais da Casa dos Mortos começa alguns meses depois de Jardins da Lua está mais localizada no continente das Sete Cidades, enquanto o primeiro livro passa em Darujhistan, a última cidade livro no continente de Genabackis, e deste continente partem alguns personagens que irão aparecer também neste segundo livro, como o assassino Kalam, o Violinista, Crokus e Apsalar, está último no primeiro livro conhecida como Piedade.

E não são todos do primeiro livro que tem histórias não terminadas que aparecem no segundo livro, pelo que andei pesquisando só pareceram no terceiro. E já me contaram também que algumas histórias inacabadas no segundo livro não serão reveladas no terceiro, talvez em outros livros. Ou seja, o autor é maléfico para curiosos.

Como citei anteriormente, talvez tenha me acostumado, mas o segundo livro está definido em alguns núcleos de personagens, um deles citado acima, os personagens que partiram de Genabackis.

O outro núcleo e talvez o mais importante do livro, é da irmã mais nova de Ganois Paran (outro personagem do primeiro livro que não tem a história continuada neste) da nobre Casa Paran, Felisin que também é irmã de Tavore, a mais nova conselheira da Imperatriz Lassen, e que por lealdade não poupou a irmã mais nova da perseguição da Imperatriz pela eliminação da nobreza promovida pela Imperatriz que quer tomar o poder e a nobreza se torna um obstáculo.

Felisin é enviada juntamente como Baudin e Herboric (historiador exilado) em uma mina de Ortatal, um metal resistente a magia para trabalharem como escravos. Porém inicialmente você fica com pena de Felisin, uma garota de 15 anos passando tudo que ela passou, se tornando uma prostituta para sobreviver além de dar uma vida digna para seus dois amigos, mas no decorrer do livro tua visão começa mudar em relação a ela.

Na série é complicado definir vilões de heróis, até porque no decorrer pode inverter dependendo da situação essas posições, mas talvez neste segundo livro até o momento, temos um herói, o Alto Punho Coltaine, mesmo sendo citado várias vezes no primeiro, mas quase não teve participação. Coltaine ele se torna uma referência pelo sofrido e perseguido povo malazano feito pela Imperatriz, com batalhas épicas ele protegerá milhares de refugiados e mantê-los em segurança em uma cidade. Porém talvez todo esse heroísmo tenha um motivo não muito nobre, vai saber... Steven Erickson sempre surpreende...

Outra parte da trama fica em torno de dois personagens interessantíssimos, que aparecem neste segundo livro, Icarium, meio humano, meio jaghut, com pele esverdeada e com presas, parece um grande mostro, mas na verdade é gentil, com um grande conhecimento filosófica e sua busca é recuperar suas memórias. Porém seu companheiro de jornada, Mappo um guerreiro trell, e a sua missão não é nada amigável, proibir que Icarium encontre suas memórias, e se torna a dupla de guerreiros letais com a relação mais complicada e suave do livro. Porém a gentiliza de Icarium tem limites, e isso que Mappo tenta controlar, ao mesmo tempo sente que está traindo seu melhor amigo. A dupla tem outros desafios, lutar contra monstros como d’ivers e solekatens. E enfrentar um senhor que aparentemente é inofensivo e muito engraçado, o Alto Sacerdote Iskaral Pust, porém bastante ardiloso, e está a serviço de Trono Sombrio, este uma revelação interessantíssima nesse segundo livro.

Ainda temos o historiador Duiker, Gesler, Stormy, Verdade e Kulp, entre outros que completam a narrativa do livro e os caminhos de alguns deles acabam se cruzando com os personagens citados na resenha.

Sei que dificilmente consegui descrever todos os fatos do livro, nem foi a minha intenção, pois seria uma resenha de cinco páginas ou mais, porém espero que tenha instigado para iniciar a leitura.

A grandiosidade do mundo criado por Steven Erickson com diversas batalhas, viagens por lugares variados com descrições fantásticas e personagens excepcionais, enigmáticos e fascinantes.

Os Portais da Casa dos Mortos tem 816 páginas, não será uma leitura rápida, mas sim viciante. Obviamente não podia carregar o livro na bolsa, então somente poderia ler em casa. E quando chegava corria para pegar o livro, mas as vezes tinha que parar a leitura para retomar o fôlego, e o mais importante anotar tudo.

Até porque... e isso é uma reclamação para editora, demorar tanto para publicação entre um livro e o outro dificulta um pouco a leitura, essa série deveria ser publicada pelo menos dois livros por ano. São livros com tantos personagens e riqueza em detalhes que dificulta muito a retomada de leitura do próximo livro com um hiato de um ano, como ocorreu entre este e o primeiro.

Peço desculpas pela resenha talvez um tanto superficial, mas te convido a conhecer o universo da série O Livro Malazano dos Caídos, principalmente para leitores que amam aventuras épica, posso está sendo muito ousada, série é uma combinação de George R. R. Martin com J. R. R. Tolkien, porém com originalidade e a maestria de Steven Erikson.

E outro trecho do prefácio do primeiro livro pelo autor:

“(...) convida a ler num ritmo alucinante. Mas, como autor, recomendo: é melhor não sucumbir à tentação.”

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