[RESENHA] TOLOS & MORTAIS – BERNARD CORNWELL

sábado, 19 de janeiro de 2019



Título Original: Fools and Mortls
Tradutor: José Roberto O’Shea
EAN: 9788501113849
Gênero: romance estrangeiro
Páginas: 364
Formato: 16 x 23 x 2
Editora: Record

Sinopse: O maior autor de ficção histórica do mundo chega ao universo de Shakespeare.

No coração da Inglaterra elisabetana, o jovem e atraente Richard Shakespeare sonha em fazer carreira na cena teatral de Londres, um universo dominado por seu irmão mais velho, o ilustre dramaturgo William Shakespeare. Mas Richard não tem um tostão nem apoio de seu irmão, que, em vez de o acolher, entrega-o aos cuidados de Sir. Godfrey, um clérigo cruel e pervertido que treina meninos para furtar e encenar.

Com um rostinho bonito, carisma e talento, Richard ingressa na companhia de teatro de Shakespeare, representando, muito a contragosto, papéis femininos. A relação dos irmãos, no entanto, é marcada por constante tensão, e, cada vez mais distantes, à medida que William alcança a fama, Richard se vê tentado a romper em definitivo a lealdade fraternal. Então, quando um precioso manuscrito desaparece misteriosamente, as suspeitas recaem, evidentemente, sobre o caçula.

Preso em um perigoso esquema de traição e desonestidade, Richard, sem saída, com sua carreira e até mesmo a vida de seus colegas em jogo, embarca em uma aventura épica na excitante — porém traiçoeira — Londres elisabetana para resgatar os valiosos escritos e reconquistar a confiança da trupe.



Na minha humilde opinião, Bernard Cornwell é um dos melhores autores de ficção histórica da atualidade. Ele consegue dar uma veracidade que muitas vezes a ficção se confunde com a realidade histórica. E em Tolos e Mortais não foi diferente.

Sou fã do Bernard, mas não muito do William Shakespeare, não desgosto,  pelo contrário,  aprecio muito as peças escritas por ele. E indo contra a maioria, a que menos gosto é Romeu e Julieta. Mas não conheço muito da sua biografia diferentemente de outros autores antigos, e este livro muito interessante por isso, acabei envolvida e fui em busca de mais informações do autor para conseguir separar a realidade e a ficção.

Infelizmente quase todos os autores antigos as informações são baseadas em achismos e pouco consistência verídica, mas em Tolos e Mortais, Bernard Cornwell consegue criar um William Shakespeare mais próximo da realidade. Mas quem está pensando que o livro é focalizado no autor, pelo contrário, o personagem principal é o irmão do autor Richard Shakespeare.

Sim, o autor teve um irmão com esse nome, mas tudo que acontece neste livro em torno do Richard é bastante longe da realidade. Richard apresentado no livro é um ator da companhia do irmão no Theatre, porém antes de ser um ator, ele passou por poucas e boas. Os irmãos não se dão muito bem e devido a isso Richard passou por alguns infortúnios.

Esses problemas de Richard retrata uma sociedade da época bastante severa e injusta para meninos novos em Londres, entre a pobreza e abusos até de cunho sexual sofrido por eles, porém muito superficial o autor descreve algumas situações.
Outro detalhe da época era relacionado as peças teatrais nas quais eram proibidas mulheres interpretando papéis femininos, todos deveriam ser por homens e isso era algo que começou incomodar Richard. Apesar de ser um grande ator, porém agora adulto, gostaria de interpretar papéis masculinos, mas William sempre privilegiava outros com papéis masculinos.

E depois de ter sido enganado pelo irmão em detrimento de um personagem em uma das peças, e numa certa revolta, Richard resolve averiguar outro teatro que está sendo construído, lá oferecem o tão almejado papel masculino, porém com uma condição, ele terá que trazer as últimas peças escritas pelo irmão. E nesse meio tempo as peças são roubadas, e obviamente a culpa recai sobre ele.
Porém não é somente briga entre teatros rivais, tem muito mais coisas envolvidas e Richard acaba numa enrascada, e para sair somente recuperando as peças perdidas.

Apesar do contexto interessante, mas o que atrai no livro e a descrição primorosa da época, principalmente o nicho teatral do século XVI, onde antes eram itinerantes, apresentavam em palácios, salões, tabernas e páginas, mas não em teatros permanentes, e o teatro que passa o livro, historicamente foi o primeiro criado na época. Os personagens citados pelo autor que fizeram parte desta companhia são reais, alguns acontecimentos podem ter sido reais, mas outros muito bem construídos pelo autor.

Confesso que no início não entendi muito bem a intenção do autor com o livro, mas no decorrer da leitura percebi que Bernard Cornwell quis mergulhar na parte cultural e social da época, mais a primeira. Através de uma pesquisa bastante detalhada e segundo o mesmo não aproveitou nem a metade do que a historiadora que o ajudou trouxe para o livro.


Um livro que será apreciado por fãs e não fãs de William Shakespeare. Os fãs ficarão encantados pela maestria que Bernard recria fatos da época dando uma realidade espantosa que as vezes parece que o autor pegou uma máquina do tempo e retornou em 1595. E os não fãs irão ficar instigados e entusiasmados em descobrir um pouco mais sobre o grande dramaturgo, William Shakespeare.


0 comentários

Postar um comentário

Deixe seu Comentário!