[RESENHA] Oblivion Song: Canção Do Silêncio - Volume 1 - Robert Kirkman - Editora Intrínseca

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Oblivion Song
Canção Do Silêncio - Volume 1
Autor: Robert Kirkman
Editora Intrínseca
Páginas: 144

Sinopse: Nova HQ do aclamado criador de The Walking Dead é uma distopia assustadora e surpreendente
Anos atrás, 300 mil habitantes da Filadélfia foram transportados para Oblivion, uma nova dimensão aterrorizante que surgiu de forma inexplicável e destruiu áreas da cidade. Os desaparecidos tentam sobreviver enfrentando seres monstruosos em um ambiente inóspito e atordoante, marcado por raros momentos de calmaria.
O governo investiu muitos recursos em incursões para resgatar as vítimas, mas depois de dez anos as buscas foram encerradas. Mesmo lamentando a perda de entes queridos, a vida seguiu seu curso para grande parte da cidade, e monumentos, memoriais e museus foram erguidos em homenagem aos que se foram. No entanto, se depender do cientista Nathan Cole, ninguém vai ficar para trás.
Nathan desenvolveu uma tecnologia extremamente instável que lhe permite visitar Oblivion todos os dias. Ele arrisca a própria vida em viagens solitárias, perigosas e muitas vezes infrutíferas na tentativa de resgatar sobreviventes. Cada vez que volta de lá, se mostra mais determinado. Mas o que Nathan procura? Por que não consegue resistir ao chamado de Oblivion, à canção silenciosa de um mundo prestes a ruir e a levá-lo junto?
Criador de The Walking Dead — série vencedora do prestigiado Eisner Awards —, Robert Kirkman retorna com seu talento para contar histórias de caos em cenários pós-apocalípticos. Oblivion Song: Canção do Silêncio narra o luto, os traumas e os limites impensáveis que ultrapassamos para consertar os erros do passado. Com o traço único de Lorenzo De Felici, o primeiro volume reúne os seis fascículos iniciais da série.

Robert Kirkman. Um dos nomes mais conhecidos do mundo dos quadrinhos atualmente, mostra que ainda é competente em questão de narrativa. Caso você nunca tenha ouvido falar desse nome, já deve porventura de uma série de zumbis na TV conhecida como The Walking Dead. Se já ouviu saiba que essa série é baseada em quadrinhos escrita pelo mesmo autor citado aqui acima.

E Kirkman, assim como vários quadrinistas independentes, não se cansa de criar novas franquias e sua mais recente empreitada é Oblivion Song.

Inicialmente, vemos um casal correndo por ruas desabitadas destruídas sendo caçados por criaturas. Eis que, um homem trajando vestes um tanto incomuns chega ao casal e os transporta de lá. Logo, nos é explicado que eles são sobreviventes de uma fatalidade que levou 300 mil pessoas da Filadélfia para uma realidade chamada de Oblivion.

Desde então, o governo americano tentou recuperar uma boa parte da população que fora perdida nesse incidente. Mas, mesmo com toda essa determinação em salvar o povo, o governo vê que isso está custando muito caro e pretende acabar. Porém, Nathan Cole não está disposto a descansar dessa tarefa e irá até às últimas consequências, mesmo que acabe ilegalmente resgatando civis.

O roteiro é muito impactante. Vamos aprender a lidar com luto repentino, decisões monocráticas feitas de forma precipitada, dificuldade em readaptação à realidade e, claro, atos obstinados e desesperados que podem influenciar a vida como conhecemos. Robert Kirkman já conseguido fazer as pessoas há quase 10 anos atrás, voltarem a se interessar por zumbis. Aqui, Kirkman volta com o conceito de viagens interdimensionais, porém trazendo um futuro distópico muito intrigante e único.

Eis que vão dizer: “Nossa, Rick e Morty já fazem isso há uns 5 anos. Porque eu leria um quadrinho com viagem interdimensional?” É aí que está. Rick e Morty fazem isso para tirar algumas reflexões, mas, na maior parte do tempo, é para tirar sarro das ficções científicas que abordam essa temática. Aqui você verá relações sendo construídas, problemas reais a serem travados e como eventos impensáveis mudam a cabeça de todos, desde a perda de esperança e aceitação da “morte” até o fanatismo radical de que pessoas que retornam ao cotidiano devam ser consideradas “não aptas ao convívio” ou mesmo “devem ser rechaçadas” (seres humanos e a sua capacidade de serem escrotos nunca será algo infindável).

O design das criaturas é bem feito e podem ser consideradas similares às criaturas estilo Cronenberg da realidade de Rick e Morty. São gigantes, velozes, deixam rastro de gosma por toda a parte. Assim como o design das habitações onde o irmão de Nathan vive em comunidade. Sua aparência remete as favelas existentes pelo mundo afora, devido a precariedade das casas. Os aparelhos que Nathan usa para voltar a Terra tem uma certa similaridade ao usado pela dupla animada, mas não espere viagens interdimensionais por diversos lugares.

Outro ponto interessante é o comportamento de cada pessoa em Oblivion. Há pessoas que estão selvagens devido a estarem muito tempo lá, pessoas que conseguiram se adaptar, mas ainda estão ressabiadas, sempre pressentindo que estão em perigo e outros que passam a maior parte do tempo fugindo. Isso cria uma sensação de pânico que deixa até o passivo dos leitores aflitos.

O traço é bem interessante. As pessoas são representadas com realidade e os monstros tem suas peculiaridades. Na última página, aparecem possivelmente as maiores criaturas daquela realidade, porém não sabemos o quanto letais elas são. Evidentemente, foi deixado para o próximo volume que deverá sair em breve.

Oblivion Song é um quadrinho que traz muitos questionamentos, atmosfera intensa e conflitos vindouros. Se quisermos saber mais, só esperando Kirkman continuar essa história. Não é a maior obra prima do autor, mas, sem dúvidas, promete e muito uma história épica. Agora, resta torcer que a editora continue com a série.







Essa resenha é cortesia do nosso novo colunista especialista em HQs Rafael Da Fonte de Hires.

Rafa é formando em Cinema e também atua como crítico de cinema.

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