[RESENHA] Black Hammer 4: Era Da Destruição – Parte 2 - Editora Intrínseca

quarta-feira, 12 de agosto de 2020


Black Hammer 4
Era Da Destruição - Parte 2
Editora: Intrínseca
Páginas: 192

No último volume da aclamada série Black Hammer, revelações colocam o equilíbrio do universo em risco

Criada por Jeff Lemire e Dean Ormston, a premiada série Black Hammer conquistou o público e a crítica ao unir elementos de grandes clássicos dos quadrinhos, tramas únicas e personagens complexos. Sucesso inquestionável, agora a intensa jornada se encaminha para o desfecho, quando finalmente vamos descobrir o que aconteceu com os maiores heróis de Spiral City.

Após derrotarem o poderoso e maligno Antideus, eles caíram no esquecimento ao se verem presos em um estranho purgatório: uma fazenda isolada e misteriosa da qual não conseguem sair. Por dez anos viveram como uma família, escondendo sua verdadeira natureza dos habitantes locais. Até que uma visita vinda de seu antigo mundo consegue chegar até eles, trazendo consigo a esperança de voltarem para casa, mas também o prenúncio de uma era de caos e destruição.

Neste quarto e último volume, mais segredos vêm à tona, e quando a verdade sobre o que aconteceu naquela batalha fatídica é revelada, o mundo dos ex-heróis muda completamente outra vez. Com o equilíbrio do universo sob ameaça, eles serão obrigados a decidir se o preço que pagaram para salvar Spiral City valeu a pena.

Infelizmente, meus queridos, como tudo que é bom, dura muito pouco. Não se preocupem, mas isso não se trata de eu parar com críticas literárias ou mesmo acabar com qualquer parceria, mas por enquanto, Black Hammer está finalizado. Assim como toda a temporada de série, vai demorar um bom tempo até Black Hammer voltar a ter histórias novas sendo publicadas.

Infelizmente, antes de chegarmos nos eventos da nova aventura dos heróis mais deslocados de Jeff Lemire, é necessário dar uma contextualização rápida, visto que muitos podem não ter visto as outras partes. Depois da luta com o AntiDeus, os hérois Menina de Ouro, Black Hammer, Talky Walky, Madame Libélula, Abraham Slam, Coronel Weird e Barbalien foram jogados a outra dimensão. Um dos heróis, Black Hammer, tentou sair da dimensão onde estavam, mas morreu no processo.

Nas edições passadas, vimos a relação interpessoal de cada um dos personagens com a realidade ao qual estavam submetidos. Na primeira parte de Era da Destruição, nossos personagens descobriram verdade e que estavam numa realidade manipulada por Libélula e Weird, pois o mundo onde viviam não poderia mais ser habitado, devido a morte do AntiDeus, que ocasionou uma onda de choque que varreria tudo. Além disso, a filha de Hammer, Lucy, se torna a nova portadora de seus poderes. Os heróis estavam num sono criogênico induzido por eles.

E isso nos leva ao primeiro número do novo título. Depois de um defeito na nave onde todos estavam abrigados e vaga pela Parazona, o lugar onde estavam viajando. Weird fica vagando e vai de encontro a outras realidades, incluindo uma realidade de personagens que ninguém se importou em criar histórias interessantes e os mesmos se auto intitulam de “Personagens Esquecidos”.

Eu amo a genialidade de Jeff Lemire. Sua habilidade em fazer roteiros é singular. O tempo todo, Black Hammer é a maior homenagem aos universos DC e Marvel, não apenas pelas aparências, mas suas origens, seus nomes, tudo só demonstra o quanto o conhecimento dele é enciclopédico e sabe fazer uso de certos artifícios que deixam o clima de mistério, muito similar ao explorado por outros nomes dos quadrinhos como Alan Moore, Frank Miller e etc. 

Um dos grandes trunfos de Lemire é ter o controle absoluto de tudo o que produzido. Sua construção é tão meticulosa que parece ser hermeticamente fechado, sem espaço para erros.

A arte neste novo quadrinho pode causar um certo estranhamento inicialmente. Aqui vemos algo inédito, uma mudança de artista no quadrinho. O que antes era uma arte realista e detalhada, com tons escuros não deixando de estar presentes, logo vemos algo mais calmo, sereno, quase onírico, visto que estamos em um lugar que parece um sonho, já que a arte possui um traço mais arredondado e, na opinião de alguns, até infantilizado, mas passada a estranheza, é fácil aceitar, visto que a proposta do primeiro número é brincar com os mais diferentes arquétipos de heróis que já existiram.

E como prova da genialidade, o próprio Lemire faz uma boa abordagem sobre metalinguagem que faz até o Deadpool se enrubescer de vergonha de tão bem orquestrada.

Há momentos muito emocionantes que são de cortar o coração. Nem mesmo o mais inexorável dos leitores será passivo em relação às cenas que serão vistas. Aos mais passionais, recomendo caixa de lencinho ao lado.

Black Hammer - A Era da Destruição: Parte Dois não é o fim de Black Hammer como um todo. Encare isso como American Horror Story ou qualquer outra série que consegue se resolver em uma temporada, mas mantendo o mesmo estilo para o futuro. Não é um adeus, mas sim um até breve que será explorado nos futuros números, visto que a série ainda está ativa. Pense como o fechamento de uma 1ª temporada e agora vamos encarar o hiato chato até a nova temporada sair, mas ela pode estar chegando quando nós menos esperar.







Essa resenha é cortesia do nosso novo colunista especialista em HQs Rafael Da Fonte de Hires.
Rafa é formando em Cinema e também atua como crítico de cinema.


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