[Resenha] Royal City - Volume 1: Segredos em família

sábado, 30 de janeiro de 2021

 


Royal City 
Volume 1: Segredos em família 
Autor: Jeff Lemire
Editora: Intrínseca
Páginas: 160


Em um de seus trabalhos mais pessoais e ambiciosos, o criador da aclamada série Black Hammer conta a história de uma família desestruturada e dos fantasmas que a assombram

Um dos maiores nomes da nova geração de quadrinistas, o premiado Jeff Lemire conquistou um lugar de destaque com trabalhos para Marvel, DC, Dark Horse, entre outras. Seu estilo vai do pop ao cult, e suas obras tratam com sensibilidade e irreverência de temas como solidão, família, morte, amor e amizade. Escrita e ilustrada pelo autor, a série Royal City narra o drama de uma família disfuncional e o cotidiano de uma cidade em decadência.

Há algo diferente em Royal City, uma estranheza que parece envolver tudo e todos. É nessa cidade outrora próspera que mora a família Pike, dilacerada desde a misteriosa morte do caçula, Tommy, décadas antes. Desde então, os Pike são assombrados por esse fantasma, que aparece para cada familiar de uma forma, seja como o menininho ingênuo, o homem casto, o adolescente revoltado ou o beberrão inconsequente.

Quando o pai sofre um derrame, Patrick Pike, um escritor em crise, volta a contragosto para a cidade e para as lembranças das quais tanto quis fugir. Ele logo se vê mergulhado nos segredos e problemas da família, e seu encontro com Tommy pode ter consequências devastadoras.

Com toques de realismo fantástico e mistério, Royal City: Segredos em família reúne os cinco primeiros fascículos de uma saga urbana sobre uma família em colapso e sobre os traumas e as memórias que o passado não conseguiu enterrar.


Jeff Lemire. Um dos mais prolíficos escritores e desenhistas do mundo dos quadrinhos não para nunca. Todo mês sempre tem um novo lançamento de sua autoria.

Ele é certamente um dos escritores que mesmo com uma quantidade generosa de lançamentos não decepciona tanto em qualidade, apesar de o encerramento da primeira fase de Black Hammer não ter sido o melhor. Porém, quando o assunto é trazer novidade, ele não decepciona. E Royal City não é uma surpresa.
A trama fala da família Pike, onde décadas atrás aconteceu uma morte bem misteriosa que abalou a família desde então. Vira e mexe, aparece o fantasma do filho caçula que aparece para os parentes seja como uma criança, um adolescente revoltado, um jovem adulto bêbado e um homem de família crente.

Um dia, o patriarca da família Pike tem um derrame e Patrick, filho dele, acaba tendo de voltar depois de ficar muito tempo fora da cidade onde a família vive e logo somos apresentados aos problemas dessa família.

O roteiro consegue apresentar diversas críticas e é possível supor que Lemire tenha colocado uma espécie de flerte com sua realidade, visto que a interação dos personagens é tão fluida que faz o leitor ser transportado a sua própria realidade, como se o quadrinho fizesse parte do mundo real e não fosse apenas uma construção de Lemire.

O começo do quadrinho parece muito com a estrutura de um road movie, mas logo se dirige a cidade sem cerimônias ou enrolações. Se a obra se alongasse na estrutura de road movie, creio que teria semelhanças bem grandes com Deuses Americanos, outro quadrinho lançado pela Intrínseca.

Alguns dos temas que irão abordar são solidão, famílias disfuncionais, morte, memórias, cidades decadentes e até depressão. Mesmo tendo conflitos bem hercúleos de vez em quando, não espere nada nível Game of Thrones onde todos querem te passar a perna.

Os desenhos de Lemire são bem funcionais. Não possui um super realismo, mas é possível compreender. As cores são bem escolhidas e a paleta apresenta o branco como cor predominante no quadrinho inteiro. Causa até uma certa apatia devido ao tanto de tons esbranquiçados. Há tons mais sujos e terrosos que fazem a cidade parecer mais poluída e destruída, mas é o nível de detalhes que Lemire insere que compensam o traçado como um todo.

Royal City é intenso, fala sobre temas tão atuais que é mais daqueles que dificilmente será esquecido tão cedo. Só advirto uma coisa: você que está com problemas de depressão ou conflitos no momento, não aconselho, pois pode servir de gatilho.







Essa resenha é cortesia do nosso novo colunista especialista em HQs Rafael Da Fonte de Hires.
Rafa é formando em Cinema e também atua como crítico de cinema.

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