[Resenha] Duna - Graphic Novel Volume 1 - Frank Herbert - Intrínseca

segunda-feira, 12 de abril de 2021

 

 DUNA
Autor: Frank Herbert
Editora: Intrínseca
Páginas: 176

Obra-prima da ficção científica, que ganhará aguardada adaptação para o cinema, Duna retorna em uma graphic novel exuberante e imperdível

Em 1965, um livro revolucionaria por completo a ficção científica e se tornaria um marco da literatura e da cultura pop. Com sua narrativa inovadora, unindo aventura, fantasia, religião, política, tecnologia e ecologia, Duna é uma das sagas mais bem-sucedidas da história e inspirou outros clássicos, como Star Wars, Blade Runner e Alien. Agora, essa obra-prima ganha uma versão em graphic novel fiel à exuberância e à complexidade do universo criado por Frank Herbert.

Num futuro distante, a casa Atreides, liderada pelo duque Leto, se prepara para uma jornada até o planeta desértico de Arrakis. Também conhecido como “Duna”, esse lugar cercado de mistérios e perigos é a única fonte da substância mais valiosa do cosmos. O duque precisará se aliar aos nativos, os fremen, se quiser impedir que a casa Harkonnen assuma o controle do planeta. E é lá que seu filho, Paul, conhecerá seu destino. O jovem pode ser a chave de um plano traçado há séculos e uma peça importante no jogo de poderes do império.

Adaptado com maestria por Brian Herbert, filho do autor, e por Kevin J. Anderson, este primeiro volume da série de graphic novels conta com as cores vibrantes das artes de Raúl Allén e Patricia Martín. Em 2021, a aguardada adaptação dirigida por Denis Villeneuve chega aos cinemas, com Timothée Chalamet e Zendaya no elenco.


Frank Hebert. Um dos maiores criadores de ficção científica. Nas palavras de Arthur C.Clarke: “Duna é uma obra única de ficção… Não conheço nada comparável a ela, exceto O Senhor dos Anéis.”

Duna desde sua publicação foi laureada com os mais diversos prêmios. E também várias adaptações cinematográficas tentaram ser realizadas. Começando a versão de Jodorowsky, que tentou nos anos 70 fazer uma versão do clássico.

Segundo o próprio Jodorowsky seria uma versão de 10 horas (o Snydercut ficou com inveja) e estrelaria Mick Jagger, Orson Welles, David Carradine, Salvador Dalí, Gloria Swanson, Alain Delon, Udo Kier. Além disso, teria trilha sonora do Pink Floyd e o Moebius iria ajudar na concepção do projeto.
Porém, devido a um extenso número de problemas, nunca foi adiante, como o roteiro de Jodorowsky o transformaria em um filme de 14 horas e US$ 2 milhões dos US$ 9.5 mi, já haviam sido gastos só na pré-produção.

Após a produção ser encerrada, Dino DeLaurentis pediu a Herbert que fizesse um novo roteiro, que agora teria 175 páginas, totalizando pouco menos de 3h de filme, porém o mesmo seria dividido em 2 filmes (Harry Potter e as Relíquias da Morte tá vendo essa zueira aí, hein!) e seria dirigido por Ridley Scott. Porém, apenas 7 meses depois, Scott desiste.

Então em 1981 com os direitos de 9 prestes a terminar, DeLaurentis viu O Homem Elefante de David Lynch e sua filha Raffaella o disse que Lynch era um diretor. O filme foi um fracasso nas bilheterias e um fracasso com os críticos.

Eis que, em 2016, a Legendary (produtora responsável pelos novos filmes do Godzilla e do King Kong) adquiriu os direitos e a produção será dirigida por Denis Villeneuve. A produção contará com Timothy Chalamet, Zendaya, Oscar Isaac, Josh Brolin, Rebecca Ferguson, Stellan Skarsgard, Dave Bautista, Jason Momoa, Javier Bardem e David Dastmalchian que estreará em 1 de Outubro de 2021.

Além disso, o livro recebeu uma adaptação em quadrinhos comandada pelo filho dele. O quadrinho pega a primeira parte do livro, que é dividido em 3 tomos.

Estamos a 24600 anos no futuro. A Terra já não é mais habitada e a história do nosso planeta já foi esquecida.

A Casa Atreides, a Casa Harkonnen e a Casa Corrino são rivais. Porém, segundo o Imperador Shaddam IV, o maior perigo é o Duque Leto Atreides, pois o mesmo é grandiloquente e carismático.

Shaddam decide que Leto deve ser morto, porém temendo as represálias do Imperium, pois quem planeja um golpe para qualquer das outras casas, a casa atingida e as que não foram atacadas devem se aliar e destronar o Imperador. Para tanto, ele decide chamar Vladmir Harkonnen para o ajudar a acabar com Leto.

Os Atreides são chamados para substituir os Harkonnen no planeta Arrakis, também conhecido como Duna e administrar a mineração de Melange, uma especiaria que prolonga a vida de quem usa. O Melange também é usado para fazer as naves da Corporação Espacial funcionar e para a irmandade Bene Gesserit se manter ativa.

A Bene Gesserit é uma ordem feminina secreta de guerreiras habilidosas que há séculos desenvolvem um programa de melhoramento genético de um macho chamado Kwisatz Haderach que possuirá habilidade pré-cognitivas e acesso à memória genética.

Algumas questões que o livro apresenta são ecologia, religião.

A Ecologia vem pois a água é um recurso muito valorizado. Em dado momento, é possível ver que até suor é vendido por altas quantias para os mais pobres. O mesmo foi

influenciado por obras como “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson.

Alguns ambientalistas até apontam que o lançamento de Duna e as primeiras imagens da Terra sendo exibidas ajudaram a criar o Dia Mundial da Terra. E a mineração de especiarias tem até relação com a mineração de petróleo.

Religião é abordada, pois como Paul é tido como Kwisatz, muito o enxergam como salvador. Além disso, os trajes do quadrinho retratam os habitantes como os povos beduínos do Oriente Médio. Paul pode ter relação com T. E. Lawrence, o famoso Lawrence da Árabia.

O desenho é muito bem detalhado. O grande destaque vai para a splash page (quadro de página inteira) onde vemos o tal verme de areia. Agora, é possível entender de onde veio a inspiração do filme “O Ataque dos Vermes Malditos”.

Os ambientes são bem ricos e a alucinação de Paul no teste é bem construída. Até parece, em certo ponto, a arte do quadrinho Wytches, de Scott Snyder e Jock.

Algo que é importante frisar é que o ritmo da narrativa é bem lento e apenas no fim que a coisa parece andar muito rápido.

Então, aos mais afoitos, digo: tenham paciência, pois o texto de Hebert visa aprofundar os personagens os dando várias camadas e construindo-os de uma maneira pouco vista usualmente.

Se tiver, garanto: recompensa e muito, pois o senso de urgência é bem criado e não deve nada para outras narrativas do gênero.

Alguns podem achar que o texto do quadrinho é infinitamente menos detalhado que do livro. Mas tenhamos ciência: é uma adaptação. E como não se consegue de maneira fiel, transpor livros em quadrinhos ou vice-versa, há um certo nível de liberdade criativa.

Mas não é por isso que o quadrinho deva ser tratado como algo pouco fiel. Ele toma a liberdade de transpor o mundo que Hebert queria que as pessoas construíssem na mente para uma mídia mais concreta e menos subjetiva. Portanto, devem ser tratadas de maneira diferente.

Por ter menos textos e mais imagens, as imagens precisam preencher aquilo que o texto descreve e li tô texto original e acredito que elas conseguem fazer aquilo que Hebert tinha em mente quando estava fazendo sua obra. Tenho certeza de que ele se orgulharia do trabalho que o filho realizou.

Duna Vol. 1, pelo menos, até Outubro conseguiu fazer aquilo que seu pai gostaria de ter visto ainda vivo seja na obra de Lynch ou na Jodorowsky. Tudo transcorre da maneira que deve ser e creio que se a Intrínseca decidir continuar a série, será muito bem-vinda. Agora, esperar até o filme de Denis Villeneuve sair e ver se ele conseguiu dar a mesma dimensão que o quadrinho deu.






Essa resenha é cortesia do nosso novo colunista especialista em HQs Rafael Da Fonte de Hires.
Rafa é formando em Cinema e também atua como crítico de cinema.

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